Financiamento é necessário para prestar assistência a quase meio milhão de civis deslocados. Surto de ebola também preocupa e será tema de reunião na Assembleia Geral.
A agência de refugiados das Nações Unidas pediu ontem (18) cerca de 40 milhões de dólares para ajudar quase meio milhão de civis deslocados pelo conflito na República Democrática do Congo (RDC).
Estima-se que 390 mil pessoas foram deslocadas internamente no leste da RDC e mais de 60 mil congoleses fugiram para as vizinhas Ruanda e Uganda desde que combates entre as forças do Governo e do grupo rebelde M23 eclodiram na província de Kivu Norte, em abril.
“A situação continua instável e esperamos ainda mais deslocamentos este ano”, afirmou Melissa Fleming, Porta-Voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), a jornalistas em Genebra. “Se a violência e o abuso a civis continuarem a aumentar nas províncias orientais, o número de novos deslocados deverá ser ainda maior, podendo chegar a 760 mil nos próximos meses”.
“Estamos particularmente alarmados com o grande número de violações dos direitos humanos em Kivu Norte e Sul, onde mais de 15 mil incidentes de segurança, incluindo, assassinato, estupro e recrutamento forçado, foram relatados desde abril. O número real é provavelmente muito maior”, relatou Fleming.
O financiamento extra é necessário para a construção de abrigos de emergência, reformas de infraestrutura nos campos de refugiados já existentes, distribuição de kits sanitários e itens domésticos básicos, construção de latrinas familiares, além de gastos com saúde, educação, proteção para a comunidade, registros, combustível e estradas.
Surto de Ebola
Além das questões provocadas pelo conflito, a RDC também enfrenta ainda um surto de Ebola, com o número de casos detectados atingindo 46 na semana passada, 19 deles fatais e mais 26 casos suspeitos. Os casos relatados são nas zonas de saúde de Isiro e Viadana, no distrito de Haut-Uélé e na província de Orientale.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está trabalhando em conjunto com o Ministério da Saúde do país em uma investigação epidemiológica para identificar todas as possíveis cadeias de transmissão da doença e garantir que sejam tomadas medidas adequadas para interromper a transmissão e parar o surto.
A OMS afirmou que não há nenhuma indicação de que este surto tenha relação com o que atingiu o distrito de Kibaale em Uganda, em julho, que matou 17 pessoas. A Organização não recomenda que eventuais restrições de viagem ou comércio sejam aplicadas à RDC.
Reunião na Assembleia Geral
Uma reunião de alto nível no âmbito da Assembleia Geral sobre a região dos Grandes Lagos está prevista para ser realizada na próxima semana. Segundo o Embaixador da Alemanha, Peter Wittig, que detém a Presidência rotativa do Conselho de Segurança este mês, uma solução política para a crise é de maior prioridade para os 15 membros do organismo.