ONU pede a governo da Zâmbia fim da impunidade do cantor Clifford Dimba, acusado de estupro

Condenado a 18 anos de prisão por estupro de menina de 14 anos, cantor passou um ano detido, mas já se encontra em liberdade. Em seguida, Dimba foi nomeado embaixador na luta contra violência de gênero.

Foto: EBC

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Especialistas em direitos humanos da ONU exortaram o governo da Zâmbia na segunda-feira (21) a acabar com a impunidade do cantor Clifford Dimba, condenado por estupro de uma menina de 14 anos em 2014 e solto antes de completar a pena, como forma de mostrar seus esforços no combate à violência de gênero e à agressão sexual contra mulheres e meninas.

Dimba recebeu a sentença de 18 anos de prisão, mas foi perdoado pelo presidente Edgar Lungu depois de completar apenas um ano preso, sendo, em seguida, nomeado embaixador na luta contra a violência de gênero no país. Desde sua libertação, o cantor recebeu denúncias de envolvimento em dois outros casos de violência contra mulheres.

Para a relatora especial da ONU sobre venda de crianças, prostituição e pornografia infantil, Maud de Boer-Buquicchio, o quadro de Dimba mostra que a impunidade gera ainda mais agressão.

“Uma libertação ultrajante como esta e a nomeação como embaixador pela luta contra a violência de gênero não apenas traumatizam a vítima outra vez, como desmotivam outras vítimas a denunciarem crimes similares”, afirmou a relatora especial da ONU sobre violência contra as mulheres, suas causas e consequências, Dubravka Šimonović, destacando que atitudes como esta banalizam crimes de violência de gênero.

As especialistas das Nações Unidas pediram que o governo da Zâmbia retire a nomeação do cantor e garanta que não haja mais perdão a crimes contra mulheres e meninas, sem exceções. Elas também ressaltaram medidas de proteção e prevenção, por meio de conscientização e campanhas direcionadas tanto para homens como para mulheres sobre a importância da igualdade de gênero e respeito por mulheres e meninas.

As representantes independentes da ONU destacaram que o perdão dado ao cantor Dimba é incompatível com as obrigações internacionais de direitos humanos e com o papel do presidente Lungu como defensor da campanha da ONU Mulheres, Eles por Elas.