ONU pede a governo interino do Egito que proteja todos os cidadãos

Recrudescimento da violência dificulta reconciliação. Para escritório de direitos humanos, abordagem de confronto está levando país ao “desastre”.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: Arquivo da ONU/M. Garten

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu neste domingo (28) que o governo interino do Egito proteja todos os cidadãos do país, independente de filiação partidária, e assuma plena responsabilidade pela gestão pacífica dos protestos.

Em conversa telefônica com o vice-presidente interino Mohamed ElBaradei, Ban voltou a condenar o recrudescimento da violência e afirmou que cada morte dificulta a reconciliação de longo prazo.

O secretário-geral pediu que os interesses do país prevaleçam sobre quaisquer outros e que o presidente deposto Mohamed Morsi e outros membros da Irmandade Muçulmana sejam libertados ou que seus casos sejam revisados com total transparência.

A chefe da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, também condenou a violência do fim de semana e pediu, pela segunda vez em um mês, por investigação “crível, independente e rápida” da matança em larga escala na qual as forças de segurança parecem estar fortemente envolvidas.

Para Pillay, a abordagem de confronto está levando o país ao “desastre” – mais de 150 egípcios morreram durente os protestos ao longo do mês.

“Temo pelo futuro do Egito se o Exército e outras forças de segurança, assim como manifestantes, continuarem com uma abordagem tão agressiva e de confronto. Apoiadores da Irmandade Muçulmana têm o direito de protestar pacificamente como qualquer outra pessoa”, disse a alta comissária, que está alarmada com “a polarização cada vez mais perigosa” que atinge o país.

“Peço a todos para que deixem de lado suas mágoas e se engagem num diálogo nacional urgente para restaurar a ordem constitucional por meio de eleições livres e democráticas e ponham fim à violência e ao discurso de ódio”, declarou Pillay.