Para os especialistas, a transferência forçada acabaria com a cultura e meio de vida das comunidades beduínas.

Muitas comunidades beduínas e de pastoreio na Área C da Cisjordânia são impedidos de melhorar ou construir abrigos pelas autoridades israelenses. Foto: UNRWA/Alaa Ghosheh
Dois representantes da ONU, com responsabilidades no território palestino ocupado, expressaram na última quarta-feira (20) sua profunda preocupação com os avanços do governo de Israel para transferir beduínos palestinos de suas comunidades atuais na região central da Cisjordânia.
O coordenador Humanitário da ONU para o território ocupado palestino, James W. Rawley, e o diretor de Operações na Cisjordânia para a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Felipe Sanchez, publicaram uma declaração conjunta alertando sobre o fato. Na nota, citaram o relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de março deste ano, que delineava uma relação entre as transferências propostas e expansão dos assentamentos ilegais e advertiram que o movimento viola a Quarta Convenção de Genebra e os direitos humanos.
“A história tem nos mostrado que estas transferências não têm provado ser do interesse das comunidades beduínas”, disse Sanchez. “Isso significaria uma continuação do desenvolvimento que começou em 1997, quando os refugiados palestinos tiveram que subir em caminhões e foram levados para a localidade de Eizariya, e posteriormente um assentamento ilegal foi construído em suas antigas terras.”
Os beduínos que vivem em Abu Nwar são uma das 46 comunidades de beduínos – a maioria deles refugiados – que, segundo o planejamento, devem ser transferida para três lugares diferentes. As autoridades israelenses alegam que as comunidades beduínas não têm título de propriedade e que o reassentamento irá melhorar suas qualidades de vida.
No entanto, os representantes afirmaram que as comunidades serão submetidas ao despejo e suas casas serão demolidas para dar lugar a expansão do assentamento Ma’ale Adumim – chamado plano “E1” e que essa transferência proposta acabaria com a cultura e meios de vida dos beduínos.