ONU pede ação conjunta para acabar com formas modernas de escravidão

Para presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, tráfico de pessoas acontece por causa das grandes disparidades econômicas entre nações, que aumentam os fluxos de trabalho e mercadorias pelas fronteiras internacionais e redes de crime organizado transnacionais.

Hoje, 21 milhões de crianças, mulheres e homens estão presos em regimes de escravidão em todo o mundo. Foto: OIT

Neste Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, 2 de dezembro, as Nações Unidas pedem ação conjunta para erradicar as formas modernas desta prática hedionda.

“É vital que dêmos atenção especial para acabar com a escravidão dos dias modernos e a servidão que afeta os mais pobres, os mais excluídos socialmente, incluindo migrantes, mulheres, grupos étnicos discriminados, minorias e povos indígenas”, disse o secretário-geral, Ban Ki-moon, em mensagem.

A data faz referência a 1949, quando, neste dia, a Assembleia Geral adotou a “Convenção para a Supressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração de Prostituição de Outrem”. O objetivo é a erradicação das formas contemporâneas de escravidão, como tráfico de pessoas, exploração sexual, as piores formas de trabalho infantil, casamento forçado e o recrutamento forçado de crianças para conflitos armados.

Hoje, 21 milhões de crianças, mulheres e homens estão presos em regimes de escravidão em todo o mundo, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que reuniu artistas, atletas e advogados na campanha “Acabe com a escravidão agora!”.
Ban observou que o último ano teve progressos importantes, incluindo legislações mais fortes e maior coordenação por uma série de países para combater a escravidão. Além disso, mais e mais empresas estão trabalhando para garantir que suas atividades não causem ou contribuam para formas contemporâneas de escravidão no local de trabalho e suas cadeias de suprimento.

O secretário-geral também pediu apoio contínuo ao Fundo Voluntário das Nações Unidas sobre formas contemporâneas de escravidão, que tem ajudado a restaurar os direitos humanos e a dignidade de dezenas de milhares de crianças, mulheres e homens nos últimos 20 anos.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, John Ashe, ressaltou que o Dia serve como um lembrete às pessoas de que, assim como seu antecedente histórico, a escravidão moderna é uma violação flagrante dos direitos humanos básicos.

“A maioria daqueles que sofrem é dos mais vulneráveis e marginalizados na sociedade”, afirmou Ashe. “A cada ano, centenas de milhares de homens, mulheres e crianças são sequestrados e vendidos para a escravidão por meio de fronteiras internacionais. O tráfico de pessoas é uma questão de grande preocupação global e afeta quase todos os países.”

O presidente da Assembleia Geral destacou, ainda, que o tráfico de pessoas continua florescendo por causa das grandes disparidades econômicas entre nações, aumentando os fluxos de trabalho e mercadorias pelas fronteiras internacionais e redes de crime organizado transnacionais.

Ashe pediu a todos os Estados-membros que erradiquem a escravidão em todas as suas formas, apoiem iniciativas que promovam a inclusão social e que acabem com todas as formas de discriminação. “Precisamos promover e proteger os direitos dos mais vulneráveis nas nossas sociedades e ajudar a restaurar a diginidade das vítimas de escravidão.”