Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, a indústria do azeite constitui 25% da renda agrícola da região, mas muitos palestinos não conseguem autorização para colher seu próprio cultivo.

Oliveiras em Ni’lin, cidade palestina, que em 2008 esteve muito perto da expansão dos assentamentos israelenses. Foto: IRIN/Shabtai Ouro
Após uma visita de campo à duas comunidades produtoras palestinas na região central da Cisjordânia, o coordenador humanitário da ONU da região, James W. Rawley, afirmou que o cultivo de oliveiras no território palestino ocupado é a força motriz da economia da região, principalmente porque ocupa metade de todas as suas terras.
“A colheita de azeitona anual é um evento econômico, social e cultural fundamental para os palestinos”, disse Rawley, acrescentando que a indústria do azeite constitui 25% da renda agrícola da região.
Aproximadamente 150 comunidades palestinas possuem terra localizada entre a barreira e a linha verde. No entanto, apenas 50% das autorizações para que os fazendeiros acessem suas próprias terras são aprovadas durante o período de colheita, segundo o monitoramento realizado pelo Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) nos últimos quatro anos.
Na ocasião, Rawley ouviu os proprietários das terras que descreveram os impactos negativos e contínuos que sofrem por conta da violência dos colonos e as restrições de acesso às suas terras, que também são seus meios de subsistência.
De 2006 até o final de setembro de 2014, o OCHA registrou mais de 2.300 incidentes relacionados com colonos, resultando em vítimas ou danos materiais. Além disso, de 2009 até o final do mês de agosto deste ano, cerca de 50 mil árvores frutíferas, principalmente oliveiras, foram destruídas ou danificadas por estes incidentes.
“É necessária uma ação imediata em apoio aos agricultores de oliveiras, incluindo assegurar a proteção contra ataques dos colonos, responsabilidade contra atos de violência pelos colonos; o levantamento das restrições ao acesso dos palestinos à sua terra agrícola; e o apoio contínuo às comunidades produtoras de azeite”, concluiu Rawley.