ONU pede às nações que cumpram os acordos de Cancun

A Secretária Executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, pediu nesta segunda-feira (20/12) que os países deem prosseguimento, após a recente conferência em Cancun (México), a maiores cortes de emissão de gases e lançamento rápido de novas instituições e fundos.

A Secretária Executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, pediu nesta segunda-feira (20/12) que os países deem prosseguimento, após a recente conferência em Cancun (México), a maiores cortes de emissão de gases e lançamento rápido de novas instituições e fundos. Os acordos alcançados na conferência, que terminou no dia 11 de dezembro, incluem a formalização dos pedidos de atenuação e a garantia da responsabilidade pelos mesmos, bem como a tomada de medidas concretas no combate ao desflorestamento, responsável por quase um quinto das emissões globais de carbono.

Os representantes presentes à UNFCCC também concordaram em garantir a não existência de diferenças entre o primeiro e o segundo períodos de compromisso do Protocolo de Kyoto, uma adição à Convenção, que contém medidas juridicamente vinculativas para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, e cujo primeiro período de compromisso expira em 2012.

“Cancun foi um grande passo adiante, maior do que muitos imaginavam que fosse possível. Mas chegou a hora de excedermos nossas próprias expectativas, pois nada mais o fará”, disse Figueres. Ela frisou que os “Acordos de Cancun” precisam ser implementados o mais rápido possível, acompanhados de “sistemas de responsabilização confiáveis que ajudarão na medição do progresso real”. Se todos esses objetivos e ações forem totalmente implementados, a ONU estima que possam levar a apenas 60% das reduções de emissão garantidas pela comunidade científica como necessárias para a permanência abaixo dos dois graus de aumento da temperatura média global – e dois graus não garantem a sobrevivência dos povos mais vulneráveis. “Todos os países, particularmente as nações industrializadas, precisam aprofundar seus esforços em redução de emissões rapidamente.”

O acordo feito em Cancun estabelece um pacote para auxiliar países em desenvolvimento a lidar com as mudanças climáticas, incluindo a criação de novas instituições, canais de financiamento e um mecanismo de transferência de tecnologia para ajudar países em desenvolvimento a escrever um futuro duradouro de baixas emissões, adaptar-se de forma mais eficaz às mudanças e preservar e proteger suas florestas. Figueres salientou que essas instituições devem ser criadas rapidamente, apontando que milhões de pessoas pobres e vulneráveis em todo o mundo têm esperado por anos pelo nível total da ajuda de que necessitam.

Ela disse ainda que a UNFCCC apoiará todos os governos neste novo trabalho e que espera ser possível apontar para novos e concretos exemplos de sucesso na próxima Convenção, a ser realizada no ano que vem, na África do Sul. “Espero particularmente ver decisões rápidas relativa à nomeação do Conselho de Administração do novo Fundo Verde e do Comitê do Mecanismo de Tecnologia. Também espero receber os detalhes do financiamento rápido dos países industrializados para que a Secretaria possa compilar as informações que mostrem claramente os montantes que foram levantados e que estão sendo pagos”.

O Fundo Verde estabelece uma instituição de financiamento a longo prazo do clima pela primeira vez sob supervisão de todos os membros da UNFCCC, com um Conselho de 24 membros que equilibra a representação entre países em desenvolvimento e desenvolvidos. “Cancun expandiu significativamente as possibilidades de aplicação de recursos para o clima, disponíveis para os países no âmbito das Nações Unidas”, disse Figueres. “O importante é agir agora.”

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, também destacou as conquistas da Conferência de Cancun em mensagem para a cerimônia de encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade, realizada na cidade japonesa de Kanazawa, no sábado (18/12).

“Ao promover a conservação e o gerenciamento sustentável de florestas, podemos não apenas atenuar os impactos climáticos e aumentar a resistência, mas também avançamos muito em relação ao aceleramento da perda de biodiversidade”, disse Ban na mensagem, emitida por Ahmed Djoghlaf, Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica.