ONU pede calma em meio a temores de retomada da violência na República Centro-Africana

Em meio a tensões crescentes na província de Ouaka e nos arredores de Bambari, na República Centro-Africana, o coordenador humanitário interino da ONU para o país, Michel Yao, pediu que as partes em conflito evitem ações que possam aumentar a vulnerabilidade da população na região.

Deslocados internos em Bambari, na República Centro-Africana. Foto: ONU/Catianne Tijerina

Deslocados internos em Bambari, na República Centro-Africana. Foto: ONU/Catianne Tijerina

Em meio a tensões crescentes na província de Ouaka e nos arredores de Bambari, na República Centro-Africana, o coordenador humanitário interino da ONU para o país, Michel Yao, pediu na quarta-feira (25) que as partes em conflito evitem ações que possam aumentar a vulnerabilidade da população na região.

“Com uma população de 42 mil e mais de 26 mil pessoas deslocadas, um conflito aberto em Bambari seria devastador para os civis”, disse Yao.

Alertando a todos os grupos armados e atores não estatais sobre o impacto de um confronto violento sobre a população local, Yao acrescentou: “a probabilidade de tal conflito sugere um aumento perigoso na fragilidade dos deslocados — população cuja vulnerabilidade continua sendo motivo de preocupação em vários aspectos”.

Além disso, o coordenador instou os grupos armados e não estatais a não pôr em perigo as realizações dos últimos dois anos em termos de reconciliação e harmonia social, bem como a melhora na situação humanitária.

Ele também encorajou os esforços da Missão Integrada Multidimensional de Estabilização da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA), da comunidade internacional e das autoridades nacionais em evitar confrontos que poderiam ameaçar a proteção dos civis.

“As pessoas em Bambari e nas redondezas já sofreram as conseqüências de várias ondas de violência por parte de grupos armados”, destacou.

De acordo com dados da ONU, desde o início do conflito em Bria em setembro passado, mais de 18 mil pessoas deslocadas recentemente chegaram à prefeitura de Ouaka, que faz fronteira com a República Democrática do Congo. Em Bambari, há mais de 300 novos deslocados do eixo Bambari-Ippy-Bria, todos em extrema necessidade de auxílio.

“Peço que todas as partes em conflito garantam o acesso humanitário sem obstáculos aos grupos vulneráveis”, continuou Yao.

Os confrontos entre rebeldes Séléka, principalmente muçulmanos, e as milícias anti Balaka, que são na sua maioria cristã, mergulhou o país de 4,5 milhões de pessoas em um conflito civil em 2013.

Segundo a ONU, mais da metade da população está em extrema necessidade de ajuda. Apesar de progressos significativos e de eleições bem-sucedidas, o país continua dominado pela instabilidade e pelas tensões.

Em dezembro de 2016, a Missão apoiou um novo diálogo entre 11 dos 14 grupos armados, como parte de um esforço contínuo para desarmar as facções.