Gesto em mês de jejum para os islâmicos pode abrir caminho para a paz. Nações Unidas mantêm esforços por acordo político para a crise no país.

Criança se refugia em prédio abandonado de Al-Hassake. Foto: PMA/A. Etefa (fev/2013)
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou por um cessar-fogo na Síria durante o Ramadã, mês de jejum para os islâmicos. Para ele, o gesto poderia ajudar a criar uma dinâmica para a paz.
Em comunicado emitido na segunda-feira (8), Ban observou que o Ramadã é um dos quatro meses do calendário islâmico durante o qual a luta deveria parar. “Não estou pedindo um cessar-fogo contratual ou uma trégua negociada. Também não estou me referindo a uma medida limitada a uma área. Estou pedindo para cada unidade militar do Exército regular e do exército sírio livre, para qualquer pessoa que tenha uma arma, que parem de lutar e ofereçam este mês de paz como um presente coletivo para o seu povo – e que o façam em toda a Síria.”
“Estou ciente de que alguns podem ver este pedido como utópico”, disse Ban. “A paz duradoura só virá por meio de uma negociação séria. Mas estou convencido de que o povo sírio tem o direito de pedir isso a todos aqueles que afirmam estar lutando em seu nome. Este é o tipo de gesto que pode construir a esperança e o impulso em direção à paz.”
A ONU vai continuar trabalhando com a Rússia e os Estados Unidos na construção de um acordo político para a crise e de uma conferência na Suíça para levar os sírios à mesa de negociações.
O secretário-geral pediu a libertação dos detidos pelo Governo e oposição, afirmando que existem relatos confiáveis de que centenas de mulheres e crianças estão presas em vários centros oficiais e não oficiais em todo o país.
Desde o levante contra o presidente Bashar Al-Assad, em março de 2011, mais de 93 mil pessoas já foram mortas no país.