ONU pede esforço para diminuir distância entre ações humanitárias e de desenvolvimento

Dirigindo-se aos líderes reunidos em um evento durante a Cúpula da União Africana, secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou que a “nova maneira de trabalhar” não é transferir o financiamento do desenvolvimento para programas humanitários ou vice-versa.

Pessoas em campo de deslocados de Melia, no Lago Chade, recebendo alimentos do Programa Mundial de Alimentos da ONU. A maioria dos deslocados vem das ilhas do Lago Chade, que foram abandonadas por causa da insegurança. Foto: PMA/Marco Frattini

Pessoas em campo de deslocados de Melia, no Lago Chade, recebendo alimentos do Programa Mundial de Alimentos da ONU. A maioria dos deslocados vem das ilhas do Lago Chade, que foram abandonadas por causa da insegurança. Foto: PMA/Marco Frattini

Dirigindo-se aos líderes reunidos em um evento durante a Cúpula da União Africana, realizada entre 22 e 29 de janeiro deste ano na capital da Etiópia, Adis Abeba, o secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou que a “nova maneira de trabalhar” não é transferir o financiamento do desenvolvimento para programas humanitários ou vice-versa.

“Trata-se de reconhecer metas comuns e otimizar recursos e capacidades existentes para ajudar todas as pessoas em situações de risco, vulnerabilidade e crise. Trata-se de trabalhar melhor juntos para reduzir as necessidades humanitárias a médio e longo prazo”, afirmou Guterres, destacando o objetivo de um dos principais resultados da Cúpula Mundial Humanitária de 2016.

O chefe da ONU apontou ainda que o esforço para acabar com a distância entre desenvolvimento e humanitarismo levaria tempo e uma diversidade de atores, incluindo aqueles fora do Sistema ONU.

Em meio a uma onda de necessidades induzidas por conflitos na Síria, no Iêmen, na República Democrática do Congo (RDC), no Sudão do Sul e em outros lugares, Guterres lançou um novo impulso na diplomacia pela paz, incluindo a mediação, para acabar e prevenir conflitos.

Quanto aos choques climáticos cada vez mais frequentes e mais intensos que também estão criando necessidades humanitárias recordes e impactando gravemente os mais vulneráveis, a comunidade internacional deve redobrar seus esforços para lidar com as mudanças climáticas e aumentar a resiliência daqueles impactados pela seca, inundações e outros desastres.

“Temos uma obrigação moral de fazer melhor e temos as ferramentas e conhecimento para cumprir essa obrigação”, disse o secretário-geral, ressaltando: “Devemos quebrar os silos que existem há muito tempo entre os atores humanitários e de desenvolvimento”.

Ele disse que a experiência de países como Etiópia, Uganda, Iêmen e Somália, onde a nova abordagem está funcionando, oferece quatro lições valiosas.

A primeira é que a ONU e os parceiros de desenvolvimento devem fortalecer as capacidades dos atores nacionais e locais para responder efetivamente às necessidades, riscos e vulnerabilidade; além disso, deve também partir coletivamente de uma compreensão comum dos desafios e, depois, compartilhar dados, informações e análises.

A terceira lição é a realização de um planejamento conjunto consciente quanto aos riscos, com governos e todos os parceiros, para alcançar os mais atrasados; e, por fim, redesenhar a arquitetura de financiamento para promover a previsibilidade, a flexibilidade e os financiamentos plurianuais, além de envolver as instituições financeiras internacionais e atores do setor privado, inclusive companhias de seguro, para desenvolver soluções inovadoras.

Observando que o mundo gasta muito mais energia e recursos para gerenciar crises do que impedi-las, o secretário-geral disse que a ONU deve manter um compromisso estratégico com uma “cultura de prevenção” e prometeu trabalhar com a África “para acabar com o sofrimento e restaurar a dignidade humana de cada pessoa”.