ONU pede esforços redobrados para erradicar pólio ‘de uma vez por todas’

Organização Mundial de Saúde alertou que ainda há muitos casos na região do Chifre da África. Uma em cada 200 infecções resulta em paralisia irreversível, podendo resultar em morte.

Vacina contra a pólio. Foto: OMS

Vacina contra a pólio. Foto: OMS

O mundo está mais perto do que nunca da erradicação da pólio, afirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS) na quinta-feira (24). No entanto, advertiu, as crianças continuam em risco – particularmente no Chifre da África, onde um surto da doença foi confirmado, e na Síria, onde há relatos de casos suspeitos.

“Não é hora para complacência e os esforços devem ser redobrados para garantir que esta doença seja erradicada de uma vez por todas. O Dia Mundial de Combate à Pólio é a oportunidade perfeita para nos lembrarmos deste fato”, disse a OMS em sua mensagem para a data.

O Dia Mundial de Combate à Pólio é observado anualmente em 24 de outubro, data do nascimento do virologista norte-americano Jonas Salk, líder da equipe que inventou a vacina contra a poliomielite em 1955.

A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa aguda, causada por um vírus que vive no intestino denominado Poliovírus. Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de quatro anos, também pode ocorrer em adultos.

Uma pessoa pode transmitir diretamente para a outra. A transmissão do vírus da poliomielite se dá através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença.

Uma em cada 200 infecções resulta em paralisia irreversível e, entre aqueles paralisados, de cinco a 10% morrem quando os músculos do sistema respiratório ficam imobilizados.

A atriz e embaixadora da boa vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Mia Farrow, teve a doença e conhece bem as suas consequências, já que ela adotou uma criança indiana paraplégica por causa da pólio.

“Eu tive poliomielite quando criança. Eu fui uma das sortudas que escapou sem qualquer efeito permanente, mas aos 9 tive pela primeira vez o contato com o mundo do medo e um mundo de sofrimento e morte”, contou ela.

No Sudão, o coordenador humanitário da ONU, Ali Al-Za’tari, saudou, também na quinta-feira (24), a confirmação oficial de que o governo concordou com a campanha de vacinação contra a poliomielite nos estados de Kordofan do Sul e Nilo Azul, áreas controladas pelo Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM-N, em inglês).

Os casos de pólio selvagem na Nigéria, no Afeganistão e no Paquistão – os três últimos países endêmicos – estão abaixo de 40% em comparação com o mesmo período no ano passado, informou a OMS.

No dia 17 de outubro deste ano, a OMS recebeu notificações de casos de paralisia flácida aguda na Síria, com sintomas que correspondem ao início da doença. O país já tinha sido considerado de alto risco para esta e outras doenças evitáveis pela vacinação, mas não tinha um caso de poliomielite desde 1999.

Um laboratório sírio avaliou os exames das pessoas infectadas e detectou dois casos positivos. No entanto, os resultados finais estão sendo aguardados por outro laboratório de confiança da OMS na região do Mediterrâneo Oriental.