Muitos são impedidos de circular livremente e têm assistência médica negada, relatou representante humanitário das Nações Unidas que recentemente visitou país do sul da Ásia.

Mais de 100 mil pessoas continuam deslocadas por conta do conflito em Kachin e no norte de Shan, em Mianmar. Foto: ACNUR/S. Kellly
Muitos dos muçulmanos deslocados devido à violência sectária em Mianmar continuam impedidos de circular livremente e frequentemente têm acesso negado a hospitais locais, afirmou o diretor de Operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, na terça-feira (1) na sede da ONU em Nova York.
Segundo Ging, que fez uma visita recente ao país, mais de 100 mil pessoas continuam deslocadas devido ao conflito nos estados de Kachin e no norte de Shan, vivendo em acampamentos temporários. Além disso, cerca de 120 mil muçulmanos, a maioria da etnia rohingya, e 5 mil budistas continuam fora de Mianmar depois da violência sectária de 2012 no estado de Rakhine.
Apesar de uma transformação democrática significativa, que dá apoio ao crescimento econômico e ao desenvolvimento, “nem todos em Mianmar estão se beneficiando desta transição”, ponderou o representante da ONU.
Ao visitar campos de deslocados internos em Myebon, Ging teve contato com muçulmanos e budistas e expressou choque ao ver abrigos temporários em estado de colapso e as precárias condições sanitárias.
Ging descreveu ter sido “doloroso ver tantas crianças nessas condições terríveis” e acrescentou que uma mãe perdeu seu bebê por falta de oxigênio após ela, por ser muçulmana da etnia rohingya, ter acesso negado a tratamento no hospital de uma cidade próxima.
O representante da ONU também comentou sobre a situação das minas terrestres no país. Mianmar é um dos países com o maior número de perdas humanas por conta dos explosivos. “Muito mais precisa ser feito na questão das minas terrestres”, declarou.
No entanto, muçulmanos e budistas não perderam a esperança em retornar às suas casas, e continuam querendo paz entre as comunidades, destacou Ging. Para fazer com que isso aconteça, o governo e a comunidade internacional precisam trabalhar mais para criar as condições para conduzir esse retorno, acrescentou.