ONU pede fim da violência imposta pelas forças armadas na República Democrática do Congo

Segundo o Escritório Conjunto de Direitos Humanos da ONU na República Democrática do Congo, mais de 280 pessoas foram assassinadas desde julho de 2016 nesse contexto.

Chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

Chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

O chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu nessa segunda-feira (20) às autoridades da República Democrática do Congo que tomem medidas urgentes para impedir as violações generalizadas dos direitos humanos, incluindo as execuções sumárias pelas forças armadas do país.

“É hora de acabar com a resposta militar que não faz nada para atacar as causas do conflito entre o governo e as milícias locais, mas, sim, atinge os civis com base em suas supostas ligações com as milícias”, disse Zeid.

Ele afirmou que há muitas alegações credíveis de violações em massa dos direitos humanos nas províncias de Kasai, Kasai Central, Kasai Oriental e Lomami, em meio a uma forte deterioração da segurança no país.

De acordo com o ACNUDH, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, imagens horríveis surgiram no fim de semana, mostrando aparentemente soldados da força de segurança do governo, conhecida como FARDC, disparando várias vezes contra homens e mulheres que supostamente pertenciam à milícia da aldeia de Muenza Nsapu.

A missão de paz da ONU no país informou que não está em condições de verificar a origem e a autenticidade do vídeo. No entanto, o porta-voz do governo do país afirmou que os oficiais das FARDC estão sob investigação judicial.

Segundo dados do Escritório Conjunto de Direitos Humanos da ONU na República Democrática do Congo, mais de 280 pessoas foram assassinadas desde julho de 2016 no contexto dessa violência.

“Em meio a uma preocupante escalada de violência em províncias consideradas relativamente calmas, peço novamente ao governo para que redobre seus esforços para combater a impunidade que alimenta mais violência e violações de direitos humanos no país”, ressaltou Zeid.