Até o momento, a ONU e seus parceiros receberam apenas 3% dos 995 milhões de dólares solicitados para as atividades humanitárias no Sudão. Já para o vizinho Sudão do Sul, a chegada da estação chuvosa torna o apoio financeiro ainda mais urgente.

Ajuda humanitária em Juba, no Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Isaac Billy
Com a piora da situação humanitária no Sudão e Sudão do Sul, funcionários das Nações Unidas apelaram na quarta-feira (26) pelo financiamento urgente das atividades nos dois países.
Apenas 3% do pedido de 995 milhões de dólares para a assistência ao Sudão foi atendido até o momento, enquanto, para o Sudão do Sul, a proximidade da época chuvosa torna necessário mais 371 milhões de dólares em apoio aos milhares de refugiados em países vizinhos.
Durante coletiva de imprensa em Nova York, o diretor de operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, reforçou a necessidade urgente de mobilização para ajudar na crise.
Somente no Sudão cerca de 6,1 milhões de pessoas precisam atualmente de assistência, um aumento de 40% do ano passado até o momento. A desnutrição e a insegurança alimentar estão aumentando num ritmo “alarmante”, segundo Ging, com cerca de 500 mil crianças afetadas.
A situação é grave em Darfur, onde a violência desloca números cada vez maiores de civis — quase 400 mil novos deslocados em 2013, e agora quase 200 mil a mais.
“Esta terrível situação humanitária é agravada por conta das várias crises em todo o mundo neste momento, e Darfur não está recebendo a atenção ou financiamento global que precisa”, disse Ging, que recentemente visitou o Sudão e o Sudão do Sul, em uma missão da ONU com outros colegas humanitários.
Sudão do Sul: país “implodindo”
Ging descreveu como “muito trágico” o que aconteceu no Sudão do Sul, onde os combates entre forças do governo e da oposição, que começaram em dezembro de 2013, deixaram quase 5 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária, incluindo 3,7 milhões com risco elevado de insegurança alimentar.
“Você tem o mais novo país do mundo agora implodindo”, afirmou Ging, ao lembrar que o conflito atrasa o frágil desenvolvimento que ocorria desde a independência desse país em julho de 2011.
Yasmin Ali Haque, vice-diretora do Programa de Emergências do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que também estava na missão da ONU com John Ging, disse que era “trágico” ver o que aconteceu no Sudão do Sul. O conflito fez com que as crianças enfrentassem graves violações, como escolas sendo ocupadas, centros de saúde destruídos e as próprias crianças sendo recrutadas pelos grupos armados.
Desde o inicio desses combates, 204 mil pessoas fugiram para o Sudão, Uganda, Etiópia e Quênia, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR). Cerca de 700 mil pessoas foram deslocadas internamente, incluindo 67 mil que estão abrigadas nas bases da ONU em todo o país.
“Estamos numa corrida contra o tempo. Com a estação das chuvas se aproximando rapidamente, precisamos nos preparar. Então, apelamos para a comunidade internacional que nos doem o que precisamos para fazermos as coisas com a urgência que elas precisam e o mais rápido possível”, disse Ging.
O apelo por 371 milhões de dólares para o Sudão do Sul é uma iniciativa conjunta do ACNUR e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).