Evidências mostram que o tratamento é mais eficaz do que a repressão. A dependência de drogas mata aproximadamente 250 mil pessoas por ano.
O fortalecimento das redes regionais de cooperação é vital para enfrentar a ameaça de drogas ilícitas, disse Yury Fedotov, Diretor Executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), na abertura da 55ª sessão da Comissão de Narcóticos (CND), realizada em Viena nessa semana (12-16 de março). “Nós enfrentamos uma ameaça transnacional de proporções extraordinárias, que equivale a 320 bilhões de dólares ou cerca de 0.5 % do PIB global”, ressaltou.
Ministros e autoridades antidrogas dos 53 Estados Membros da CND irão considerar questões preocupantes, incluindo a disponibilidade de estupefacientes e substâncias psicotrópicas para fins médicos e científicos e a prevenção ao desvio de produtos químicos para a produção de drogas ilícitas. A CND é o órgão central de formulação de políticas no âmbito do sistema das Nações Unidas para assuntos relacionados às drogas ilícitas.
O Diretor Executivo do UNODC instou os Estados a intensificar as estratégias de prevenção como parte de uma resposta abrangente à demanda, oferta e tráfico de drogas. “No momento, o balanço do nosso trabalho sobre demanda e oferta continua firmemente favorecendo o lado da oferta. Temos que restaurar o equilíbrio entre os dois. Prevenção, tratamento, reabilitação, reintegração e saúde têm que ser reconhecidos como elementos-chave na nossa estratégia”, disse ele.
Apesar da importância dessas iniciativas, lidar somente com a oferta não é a solução. “Deixe-me ser claro: não pode haver uma redução na oferta de drogas sem uma redução na demanda, por isso, mais deve ser feito para abordar a demanda”, disse Fedotov.
Fedotov ressaltou que os Estados devem reconhecer que a dependência de drogas é uma doença – a evidência mostra que o tratamento é mais eficaz do que a repressão no enfrentamento desse desafio de saúde pública que mata aproximadamente 250.000 pessoas por ano. Ele também observou que as crianças são vulneráveis aos efeitos das drogas e para protegê-las é importante usar os métodos de prevenção familiar.