ONU pede investigação sobre mortes de jovens em manifestação no Sudão

Testemunhas afirmam que forças governistas abriram fogo, matando oito pessoas, cinco das quais eram jovens estudantes com idade de até 17 anos.

Porta-voz do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos Ravina Shamdasani (ONU)As Nações Unidas pediram hoje (3) ao Sudão que ponha em andamento uma investigação independente sobre o alegado uso excessivo de força por parte dos oficiais de segurança do Governo durante um protesto em Darfur na terça-feira, quando oito pessoas foram mortas e mais de 50 ficaram feridas. Segundo testemunhas, forças de segurança abriram fogo contra manifestantes em Nyala e usaram gás lacrimogêneo, matando oito pessoas, cinco das quais eram jovens estudantes com idade de até 17 anos.

“Nós pedimos que o Governo prontamente lance uma investigação independente e crível sobre a violência e o aparente uso excessivo de força pelos oficiais de segurança”, disse a Porta-Voz do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH) Ravina Shamdasani a repórteres em Genebra. Reportagens afirmam que a população protestava contra os preços crescentes na Darfur Ocidental, no Sudão, depois do Governo ter anunciado um corte nos subsídios aos combustíveis e outras medidas de austeridade no mês passado.

“Existem orientações internacionais fundamentais que devem ser seguidas no tratamento de protestos para que o direito legítimo dos povos à liberdade de expressão e de reunião sejam plenamente respeitados”, disse Shamdasani. “Apelamos ao Governo para condenar inequivocamente o uso excessivo da força para reprimir os protestos e responsabilizar aqueles que foram responsáveis pelos mortos e feridos”.

“Também pedimos novamente que o Governo imediata e incondicionalmente liberte aqueles que foram presos por meramente exercer seus direitos de liberdade de reunião e expressão”, Shamdasani disse, acrescentando que a equipe de direitos humanos da Missão de Paz da União Africana e da ONU em Darfur (UNAMID) continuarão a monitorar a situação.