Em um dos casos mais emblemáticos, três membros do Centro Sírio para a Mídia e a Liberdade de Expressão permanecem há três anos detidos conforme a lei antiterrorismo de 2012. Seu julgamento foi adiado pela sexta vez no último mês, sem previsão de nova data.

As entrevistas com os detentos revela que muitos estão sendo mantidos em celas de seis por sete metros, com 55 prisioneiros em cada, sem acesso adequado à comida ou atenção médica. Foto: UNAIDS/D. Gutu
Autoridades sírias devem libertar todos os detidos pelas forças do governo e suas milícias, em muitos casos capturados há anos, exigiu o chefe de direitos humanos da ONU nesta quinta-feira (19), observando que uma grande partes das pessoas encarceradas são ativistas, advogados e defensores de direitos humanos.
“Insto ao governo sírio que liberte todos aqueles que foram encarcerados por causa da expressão pacífica de suas opiniões e que garanta aos detidos o pleno exercício dos direitos que a lei lhes confere ”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.
Em um dos casos mais emblemáticos, três membros do Centro Sírio para a Mídia e a Liberdade de Expressão, Mazen Darwish, Hani Al-Zaitani e Hussein Ghrer, permanecem há três anos detidos conforme a lei antiterrorismo de 2012. Seu julgamento foi adiado pela sexta vez no último mês, sem previsão de nova data.
O alto comissário também chamou a atenção para a condições em que os prisioneiros estão sendo mantidos, incluindo casos de tortura e maus-tratos. As entrevistas com os detentos revelam que muitos estão em celas de seis por sete metros, com 55 prisioneiros em cada, sem acesso adequado à comida ou atenção médica. Zeida afirmou que as forças de segurança sírias são conhecidas por deter as pessoas em pontos de controle, durante batidas, incursões militares, e inclusive durante processos administrativos, como ao registrar um nascimento ou usar um serviço social.
As milícias afiliadas às forças do governo também estabeleceram vários postos de controle em diferentes partes do país e estão envolvidas no sequestro de vários defensores de direitos humanos. Zeid estima que o número de pessoas que já foram detidas em algum determinado momento desde o início dos protestos em 2011 em instalações do governo e da inteligência pode ser de até 100 mil sírios.