ONU pede mais apoio aos refugiados sírios e uma solução política para o fim do conflito no país

UNICEF comemorou a entrega de ajuda humanitária para crianças sitiadas em uma região de confrontos, mas alertou que sem novas contribuições terá que suspender a ajuda a 5 milhões de crianças.

 Refugiados sírios atravessam a fronteira para a Turquia depois de fugir dos combates em Kobane, no nordeste da Síria. Foto: ACNUR/I. Prickett

Refugiados sírios atravessam a fronteira para a Turquia depois de fugir dos combates em Kobane, no nordeste da Síria. Foto: ACNUR/I. Prickett

Destacando a situação de cerca de 1,6 milhão refugiados sírios na Turquia e os esforços do governo turco para ajudá-los, a subsecretária-geral para Assuntos Humanitários e coordenadora de Ajuda Humanitária das Nações Unidas (OCHA), Valerie Amos, pediu à comunidade internacional para lembrar da agravante crise humanitária na Síria e apoiar os deslocados pelo conflito antes do inverno.

Após uma visita de dois dias à Turquia, Amos afirmou nesta segunda-feira (20) que cerca de 900 mil refugiados sírios estão registrados na Turquia, mas que o número real é estimado em 1,6 milhão de refugiados. Na ocasião, ela agradeceu ao governo e ao povo turco pela solidariedade em acolher os sírios em busca de segurança no país. 

No geral, cerca de 10 milhões de pessoas estão deslocadas internamente ou não saíram da Síria completamente. Mais de 3 milhões cruzaram as fronteiras para encontrar refúgio nos países vizinhos. No Líbano há 1,1 milhão de sírios registrados no país, totalizando um terço da população. Outros 619 mil estão registrados na Jordânia, mas o número real de refugiados pode ser bem maior. 

“Nós podemos salvar vidas, ajudar a vestir, abrigar e alimentar pessoas, proporcionar educação às crianças, mas não podemos dar a segurança que tanto elas anseiam “, disse Amos. “Precisamos urgentemente de uma solução política na Síria. O mundo deve lembrar do sofrimento do povo sírio e agir”, acrescentou.

ONU consegue levar ajuda a crianças sitiadas

Caminhões carregando itens essenciais para crianças sírias conseguiram cruzar a frente de batalha em Alepo pela primeira vez em meses, representando um “pequeno mas significante avanço” nos esforços da ONU para ajudar as crianças deslocadas pelos combates em Kobane, anunciou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O porta-voz da agência em Genebra, Christophe Boulierac, explicou que cinco caminhões partiram da cidade de Alepo, controlada pelo governo, e conseguiram chegar a Afrin, um pequeno distrito onde milhares de crianças se encontram depois de fugir das batalhas em Kobane. Os caminhões levavam kits de higiene, cobertores, água e biscoitos energéticos.

Há mais de um ano essa localidade não recebia qualquer assistência humanitária, observou o porta-voz, afirmando que outros comboios similares serão enviados para municípios no nordeste da síria que há mais de seis meses não recebem ajuda por causa do conflito.

O UNICEF ressaltou, no entanto, que o auxílio à infância no país está comprometido, dado que apenas 50% dos fundos necessários foram alcançados até o momento. Sem uma nova injeção de dinheiro, a agência poderia ter que suspender a assistência que fornece a 5 milhões de crianças dentro do país.