ONU pede medidas urgentes para impedir ações de crime organizado contra migrantes

Em Londres, reunião internacional sobre a travessia clandestina dos migrantes por mar tem o objetivo de desenvolver estratégias para salvar vidas e punir criminosos.

Migrantes arriscam suas vidas em travessias perigosas pelo mar. Foto: ACNUR

Migrantes arriscam suas vidas em travessias perigosas pelo mar. Foto: ACNUR

Durante uma reunião internacional em Londres, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), apresentou nesta quarta-feira (04) uma nova estratégia que pode contribuir para os esforços internacionais no Mediterrâneo para lidar com a circulação dos migrantes em situação irregular por mar. Segundo o diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov, medidas devem ser tomadas para impedir o tratamento horrível de migrantes por criminosos traficantes de seres humanos.

Dividida em cinco pilares essenciais, a estratégia consiste em investigação e análise, fortalecimento e capacitação dos países para desenvolver respostas eficazes de justiça criminal, promovendo a cooperação, a construção de coordenação e proteção dos direitos dos migrantes.

No encontro, Fedotov descreveu que as viagens são realizadas em barcos superlotados, embarcações improvisadas que viram ou afundam, ou em navios cargueiros deixados à deriva. Abandonados à sua sorte no mar, mulheres, homens e crianças terminam morrendo afogados ou de hipotermia, o que constitui uma “tragédia global”. “Não podemos permitir que pessoas desesperadas, fugindo de conflitos e desastres humanitários, sejam vítimas do crime organizado. Precisamos de medidas urgentes e decisivas para punir os criminosos e preservar vidas”.

Até agora, segundo ele, 185 países aderiram à Convenção das Nações Unidas sobre o Crime Organizado Transnacional e 41 assinaram o protocolo sobre o contrabando de migrantes, mas Fedotov disse que é necessária a plena implementação destes instrumentos.

A reunião iniciada pela Organização Marítima Internacional sobre imigrantes irregulares no mar aconteceu em Londres e contou também com a presença da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), e da Divisão das Nações Unidas para Assuntos do Oceano e do Direito do Mar (DOALOS).