As estatísticas mostram que os estupros relatados aumentaram 25% entre 2006 e 2011 na Índia.
Expressando profunda tristeza com a morte de uma mulher de 23 anos de idade, cujo estupro coletivo na Índia provocou protestos em todo o país, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, chamou para “um debate urgente e racional” que vise acabar com violência contra as mulheres no país.
“O que é necessário é uma nova consciência pública e a aplicação mais eficaz e sensível da lei, no interesse das mulheres”, disse ela, em meio a relatos da mídia de que a Índia ficou em luto dois dias depois de a mulher, uma estudante de fisioterapia, morrer em um hospital de Cingapura por ferimentos internos causados por seus violadores.
“O público está exigindo uma transformação nos sistemas que discriminam as mulheres para uma cultura que respeite a dignidade das mulheres na lei e na prática”, observou ela, de acordo com um comunicado do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra.
A mulher teria sido atacada depois de embarcar em um ônibus na capital indiana, Nova Déli, com seu namorado, que também foi atacado e ferido, mas sobreviveu. Seis homens foram acusados tanto do estupro quanto do assassinato da mulher e podem enfrentar a pena de morte caso condenados. “Por mais terrível que seja o crime, a pena de morte não é a resposta”, advertiu Navi Pillay.
A Alta Comissária da ONU destacou que o ataque foi o último de uma série de casos de estupro, um fato refletido nas estatísticas que mostram que estupros relatados aumentaram 25% entre 2006 e 2011. Navi Pillay também apontou que os ataques estão ocorrendo contra as mulheres de todas as classes sociais.
Enquanto a vítima de 23 anos era supostamente da classe urbana em ascensão da Índia, Navi Pillay citou o estupro coletivo em outubro de uma menina de 16 anos de idade, da designação Dalit — um agrupamento tradicionalmente considerado como “intocável”.
Pillay saudou o anúncio feito pelo Governo indiano de criar uma Comissão de Inquérito sobre a segurança pública de mulheres em Nova Déli e um painel judicial para revisão do quadro legislativo da Índia sobre a violência contra as mulheres.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também expressou (30) “profunda tristeza” pela morte da jovem indiana, de acordo com seu porta-voz. “Ele oferece suas sinceras condolências a seus pais, familiares e amigos, e condena veementemente este crime brutal“, acrescentou o porta-voz em um comunicado divulgado na noite de sábado, 29 de dezembro.
“A violência contra as mulheres nunca deve ser aceita, nunca desculpada, nunca tolerada. Toda menina e mulher tem o direito de ser respeitada, valorizada e protegida”, acrescentou o porta-voz de Ban Ki-moon.