ONU pede que Brasil estenda programas de prevenção do uso de drogas para presídios

Junta Internacional também discutiu com autoridades nacionais estratégias de tratamento para os viciados em crack. Documento ressalta medidas do Governo para reforçar o controle de drogas.

Fotografia: Enrico Fabian, no trabalho 'Morte por 50 rúpias', sobre o uso de drogas em Jahangirpuri, um assentamento em Nova Déli, na Índia.

O Relatório Anual de 2012 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), divulgado na terça-feira (5), pede que o Brasil estenda seus programas de prevenção do uso de drogas e redes de tratamento e reabilitação — que receberam investimentos consideráveis — para a população das prisões.

A missão discutiu com autoridades brasileiras o problema do crescente abuso de crack e estratégias de tratamento para o vício nessa substância, incluindo a disponibilidade de analgésicos para fins médicos, que continua a ser baixa, e a necessidade de medidas para resolver esta questão.

O documento da ONU também registra que, segundo pesquisas realizadas recentemente no país, a prevalência do consumo — o número de pessoas que declaram ter consumido cocaína nos últimos 12 meses — é de 2% entre a população adulta.

O relatório destaca que, de acordo com o Instituto Nacional de Políticas Públicas sobre Álcool e Outras Drogas e com a Universidade Federal de São Paulo, 7% da população adulta brasileira, entre 19 e 59 anos, provou maconha (cannabis) uma vez na vida. Mais de 60% dessas pessoas a consumiram com menos de 18 anos de idade.

O estudo ainda ressalta medidas do governo brasileiro para reforçar o controle das drogas e o cumprimento da lei. Em especial, a implantação de aeronaves de vigilância, scanners de contêineres e a criação de um laboratório de análise de drogas.

Apesar dos esforços, porém, o Brasil permanece como uma das principais rotas do tráfico de cocaína no mundo. A condição geográfica do país, que faz fronteira com quase todos os países da América do Sul e tem uma costa extensa, dificulta a aplicação e o fortalecimento das leis contra o tráfico de drogas.

O relatório faz um alerta mundial para as novas substâncias psicoativas conhecidas como “drogas legais” ou “designer drugs”, que ameaçam a saúde pública, como pode ser visto pelo aumento de admissões em salas de emergência e ligações para centros de toxicologia. As “drogas legais” são facilmente encontradas na Internet e sua quantidade no mercado, que já é estimada em centenas, tende a crescer de forma constante.

Acesse o relatório na íntegra em espanhol: http://bit.ly/XJQxvl; ou em inglês: http://bit.ly/XJQBLz

Confira as referências do relatório ao Brasil (em português): http://bit.ly/XJRl3l

Confira o Kit de Imprensa (em português):  http://bit.ly/XJRcgk

(Fotografia: Enrico Fabian, no trabalho ‘Morte por 50 rúpias’, sobre o uso de drogas em Jahangirpuri, um assentamento em Nova Déli, na Índia.)