Ban Ki-moon pede ação da comunidade inbternacional. Relatório registra “informação confiável” sobre o uso desse tipo de armamento em diversas ocasiões e locais, tanto contra civis quanto militares.
Refugiados sírios na Jordânia. Foto: ACNUR/S. Malkawi
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo na sexta-feira (13) para que a comunidade internacional responsabilize os autores do uso de armas químicas na Síria. Uma equipe de investigação da ONU, liderada pelo cientista sueco Åke Sellström, descobriu na semana passada que tais armas foram usadas em diversas ocasiões e em vários locais contra alvos civis e militares.
Durante a apresentação do relatório final à Assembleia Geral, Ban chamou atenção para a obrigação moral e política da comunidade internacional de responsabilizar os culpados, impedir futuros incidentes e garantir que armas químicas não possam nunca voltar a emergir como um instrumento de guerra.
O secretário-geral também pediu que todos façam o máximo possível para alcançar a aderência universal à Convenção de Armas Químicas, apelando a todos os Estados que ainda não o fizeram para assinarem, ratificarem e aderirem a este vital instrumento sem demora.
A Missão conjunta da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e das Nações Unidas, que em setembro encontrou “evidência clara e convincente” de ataques com gás sarin contra civis, incluindo crianças, na área de Damasco, desta vez reportou “informação confiável” de que tais armas foram usadas contra soldados e civis em outras partes do país, incluindo Khan Al Asal em 19 de março. A equipe não especificou qual dos partidos possa ter usado as armas em quase três anos de guerra civil entre o governo e combatentes da oposição, já que isso não fazia parte de seu mandato.
“Lamento nos termos mais fortes possíveis o uso de armas químicas na Síria como uma ofensa contra os valores universais da humanidade”, disse o secretário-geral. “A comunidade internacional continua esperando que a Síria implemente fielmente suas obrigações relacionadas à completa eliminação de seu programa de armas químicas até a primeira metade de 2014 e que cumpra normas globais sobre o desarmamento e a não proliferação.”
Com mais de 100 mil pessoas mortas na Síria, a maior parte com armas convencionais, Ban ressaltou sua determinação para buscar um fim urgente para o conflito. Segundo ele, metade da população síria está deslocada ou necessitando de assistência humanitária urgente e o conflito está tendo profundos impactos na estabilidade e na economia do Oriente Médio inteiro.
“Ao meso tempo em que os sírios se preparam para trabalhar por uma solução política na conferência do próximo mês sobre a Síria (em Genebra), peço a todos os partidos que demonstrem sua liderança e visão cessando as hostilidades e, em vez disso, trabalhando para atender às aspirações legítimas do povo sírio que busca liberdade e dignidade. Peço à comunidade internacional que faça todo o possível para alcançar este resultado”, apelou Ban.