Chefe das Nações Unidas para direitos humanos, Navi Pillay apela pelo fim da violência sexual contra mulheres manifestantes, atos ilegais de retaliação e prisões arbitrárias.

Alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
A chefe da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira (5) que o Egito garanta calma e proteção aos direitos humanos durante este período “delicado”. A alta comissária destacou a necessidade de diálogo para o restabelecimento pacífico do Estado de Direito e da autoridade civil.
Na quarta-feira (3), o Exército, que havia dado aos partidos de oposição 48 horas para solucionares as diferenças, depôs o presidente Mohamed Morsi, suspendeu a Constituição e abriu caminho para um governo interino em meio a protestos em massa.
Pillay expressou apoio a todos os egípcios que se esforçam por um estado que salvaguarde os direitos humanos e as liberdades, garantindo respeito ao Estado de Direito.
“Os protestos em massa ao longo das últimas semanas foram uma indicação muito clara de que os egípcios querem que seus direitos fundamentais sejam honrados”, declarou.
“O país ainda não conseguiu aproveitar a oportunidade de responder às aspirações de todos os seus cidadãos e avançar rumo a uma sociedade realmente tolerante e inclusiva, baseada nas normas de direitos humanos e no Estado de Direito”, avaliou.
O Egito passa por uma transição democrática após a derrupada do presidente Hosni Mubarak, dois anos atrás, em protestos similares aos que aconteceram em outras partes do Oriente Médio e Norte da África, conhecidos como “Primaver Árabe”.
Pillay enfatizou que as liberdades de expressão e reunião são reconhecidas internacionalmente como direitos humanos.
A alta comissária demonstrou preocupação com os relatos de detenção generalizada de líderes da Irmandade Muçulmana.
“Não deve haver mais violência, prisão arbitrária, atos ilegais de retaliação. Medidas sérias devem ser tomadas para impedir e investigar a consternante – e muitas vezes aparentemente organizada – violência sexual dirigida às mulheres manifestantes”, disse Pillay.