Bélgica é o país europeu com mais cidadãos que migram para participar de conflitos de movimentos radicais. Órgão independente da ONU pede que prioridade seja dada às comunidades afetadas.

Muitos combatentes estrangeiros se uniram a grupos extremistas nas linhas de frente na Síria. Foto: OCHA/Josephine Guerrero
Um grupo independente de especialistas da ONU na questão de combatentes estrangeiros se reuniram na Bélgica dos dias 12 ao 16 de outubro para coletar informações sobre as atividades de mercenários estrangeiros que migram para atuar em áreas de conflito. “O número de combatentes estrangeiros belgas é o maior per capita na Europa entre os que viajam para se juntar a conflitos no exterior, como na Síria e Iraque”, afirmou Elzbieta Karska, especialista em direitos humanos.
De acordo com o estudo, os perfis dos combatentes estrangeiros são variados, com média de idade entre 23 anos ou menos. As motivações variam entre convicções religiosas, razões humanitárias, necessidade de aceitação, subsistência e aventura.
O recrutamento acontece por meio de redes sociais, entre contatos informais de amigos e família e conexões pagas na Síria. De acordo com os estudiosos, 207 belgas estão na Síria, 77 foram mortos, 128 retornaram ao país de origem e 62 não conseguiram chegar ao Iraque. Entre esses, 46 combatentes foram processados, sendo todos do movimento radical jihadista Sharia4Belgium.
O grupo de especialistas apelou ao governo belga para que adote uma resposta baseada nos direitos humanos, com atenção voltada principalmente à inclusão de comunidades afetadas por ataques.