A decisão exigiria que cerca de 350 mil somalis regressassem ao seu país e causaria consequências humanitárias “extremas”, segundo o ACNUR

Um grupo de mulheres somalis deslocadas que residem no campo de refugiados Ifo 2 em Dadaab, no Quênia, que é apoiado pelo ACNUR. Foto: ONU/Evan Schneider
A agência de refugiados das Nações Unidas (ACNUR) pediu nesta terça-feira (14) as autoridades quenianas que reconsiderassem a sua decisão de fechar nos próximos três meses os campos de refugiados de Dadaab, localizados perto da fronteira com a Somália. A decisão exigiria que cerca de 350 mil somalis regressassem ao seu país e causaria sérias consequências humanitárias.
“Retornos em grande escala ainda não são possíveis em muitas partes do país, principalmente no centro e sul da Somália”, disse aos jornalistas a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Karin Gruijil, em Genebra.
A agência lembrou que muitos refugiados foram vítimas de violência e extremismo, e reforçou que a decisão do Quênia violaria as obrigações internacionais do país. O Quênia acolhe e protege a refugiados somalis há mais de duas décadas.
A decisão do governo foi anunciada no último fim de semana, após o terrível ataque na Universidade de Garissa no Quênia no início deste mês. O ataque deixou mais de 150 mortos e dezenas de feridos, a grande maioria deles estudantes.