ONU pede que Israel pare com as expropriações de palestinos na Cisjordânia

Somente este ano, 180 palestinos na Cisjordânia, incluindo cerca de 100 crianças, ficaram desabrigados. Agências humanitárias tentam ajudar, mas, em muitos casos, Israel apreendeu, confiscou ou destruiu a assistência fornecida a essas pessoas.

Estrutura palestina demolida na Cisjordânia. Foto: IRIN/Shabtai Gold

Estrutura palestina demolida na Cisjordânia. Foto: IRIN/Shabtai Gold

O coordenador humanitário da ONU para o território ocupado da Palestina, James W. Rawley, pediu na última sexta-feira (31) que Israel pare com os deslocamentos de palestinos no Vale do Jordão, após 66 pessoas, incluindo 36 crianças, terem sido forçadas a sair de suas casas na comunidade de Ein al Hilwe, na quinta-feira (30).

“Estou profundamente preocupado com o deslocamento contínuo e a expropriação dos palestinos na Área C, particularmente ao longo do Vale do Jordão, onde o número de estruturas demolidas mais do que dobrou no ano passado”, disse Rawley.

A Área C representa mais de 60% da Cisjordânia, onde Israel mantém controle sobre a segurança, o planejamento e as construções.

“Esta atividade não só priva os palestinos do acesso à moradia e aos serviços básicos, como também é contrária ao direito internacional”, acrescentou em um comunicado divulgado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Ele afirmou que as demolições devem parar até que ambas as partes entrem em um acordo para um planejamento justo e que atenda às necessidades da população.

As agências humanitárias estão fornecendo assistência para as famílias que estão atualmente desabrigadas e com dificuldade para sobreviver. Porém, de acordo com o OCHA, em diversos casos, Israel apreendeu, confiscou ou destruiu a assistência humanitária fornecida a essas pessoas.

O Escritório acrescentou que o deslocamento aumentou 25% em 2013, com mais de 1.100 pessoas desabrigadas na Cisjordânia, tanto na Área C quanto em Jerusalém Oriental, após a demolição de estruturas construídas sem uma licença de construção emitida por Israel, o que é “praticamente impossível de se obter”.

Desde o início de 2014, mais de 100 propriedades palestinas foram demolidas nessas áreas, forçando mais de 180 palestinos, incluindo cerca de 100 crianças, a deixarem suas casas.