Cinco funcionários de ONG foram mortos no começo da semana. Só em agosto foram 40 ataques na República Democrática do Congo, incluindo extorsão e tomada de reféns.
As Nações Unidas pediram nesta quinta-feira (6/10) que o governo da República Democrática do Congo (RDC) prenda e leve a julgamento os responsáveis pelo assassinato de cinco funcionários de ONG em Malinda, no começo da semana, no mais mortífero ataque a agentes humanitários no país.
“Lamentamos profundamente esta agressão e todos os outros ataques que dificultam o trabalho humanitário na RDC”, declarou o Coordenador da ONU no país, Pierrette Vu Thi, destacando que a responsabilidade de proteger cidadãos congoleses e integrantes de organizações nacionais e internacionais é primeiramente do governo.
“Pedimos que o governo abra imediatamente um inquérito para encontrar os responsáveis por este terrível ato e levá-los à Justiça.”
Os ataques, que vão desde extorsão à tomada de reféns e ao uso de veículos humanitários para transportar equipamentos militares, estão ligados ao persistente combate no leste da RDC e tem despertado um crescente senso de vulnerabilidade nas organizações humanitárias. Desde agosto, houve 25 incidentes na província de Kivu do Norte e 15 em Kivu do Sul, onde está Malinda. Foram 140 ataques desde janeiro nas duas regiões.
“Esta agressão, que mergulha a família humanitária no luto e causa alerta máximo, em vez de afastarmos da nossa vocação, fortalecerá ainda mais a nossa vontade de trazer aos menos privilegiados a ajuda que eles precisam”, afirmou Vu Thi.
Desde 1999, sob diversos nomes, as Nações Unidas mantêm uma missão de paz com quase 20 mil militares e policiais na RDC para supervisionar o país com anos de guerra civil e confrontos entre facções, culminando mais notavelmente em 2006 com a primeira eleição democrática em quatro décadas.