Especialistas das Nações Unidas alertaram que o açoitamento público é uma prática contínua no país usada desproporcionalmente para punir as mulheres.
Um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU alertou sobre o caso da estudante sudanesa, Ferdous Al Toum, que foi condenada a açoitamento público e uma pesada multa por vestir-se de forma indecente. Outra estudante, Rehab Omer, recebeu uma multa pesada pelas mesmas acusações. “O açoitamento público de mulheres é uma prática contínua no país, e o atentado ao pudor e a pena de açoitamento são desproporcionalmente usados para punir as mulheres”, eles observaram.
“Esta ultrajante condenação deve ser anulada e as meninas devem ser imediatamente libertadas”, declararam os especialistas da ONU. “Apelamos também ao Governo do Sudão para que revogue toda a legislação que discrimina em razão do sexo e para cumprir as normas internacionais.”
Os especialistas em direitos humanos expressaram oficialmente sua preocupação para as autoridades sudanesas sobre a legislação em vigor que permite a punição corporal de mulheres, e as consequências devastadoras que essa violência tem sobre sua integridade e bem-estar físico e psicológico.
Em 25 de Junho, a Polícia de Ordem Pública prendeu 12 estudantes do sexo feminino entre 17 e 23 anos por estarem vestidas de forma indecente. Dez delas foram levadas ao tribunal, incluindo Al Ferdous Toum, que foi condenada com 20 chicotadas e a uma multa de 500 libras sudanesas (SDG) e Rehab Omer Kakoum, condenada a uma multa de mesmo valor. Ambas apelaram, mas nenhuma data foi marcada até agora para julgar os recursos.