ONU pede que Turquia garanta liberdade de imprensa

O Alto Comissariado das Nações Unidas de Direitos Humanos (ACNUDH) pediu hoje à Turquia para garantir a liberdade de opinião e expressão, demonstrando sérias preocupações com a recente prisão de jornalistas sob a acusação de envolvimento em uma conspiração supostamente destinada a derrubar o Governo.

O Alto Comissariado das Nações Unidas de Direitos Humanos (ACNUDH) pediu hoje à Turquia para garantir a liberdade de opinião e expressão, demonstrando sérias preocupações com a recente prisão de jornalistas sob a acusação de envolvimento em uma conspiração supostamente destinada a derrubar o Governo. “Se há razões válidas para supor que os jornalistas tenham cometido crimes fora do âmbito do seu trabalho jornalístico, então essas razões devem ser transparentes para os próprios jornalistas, seus advogados de defesa e o resto de nós,” disse o porta-voz do Escritório da Alta Comissária de Direitos Humanos, Rupert Colville, em Genebra, referindo-se a ordem de sigilo em torno da investigação.

“Caso contrário, inevitavelmente, continuarão a crescer as suspeitas de que essas prisões foram motivadas politicamente,” disse Colville, convidando o Governo a cumprir o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e a garantir que os jornalistas não sejam perseguidos e presos por causa de seu trabalho jornalístico e de informação crítica. Em 3 de março, nove jornalistas e escritores turcos foram detidos pela polícia por acusações de envolvimento em uma conspiração e detidos sob ordem de um tribunal de Istambul, “sob suspeita de serem membros da organização terrorista Ergenekon e de propagarem o ódio e a inimizade entre a população.”

Os detidos incluíram Ahmet Sik e Nedim Sener, dois conhecidos jornalistas que escreveram reportagens críticas sobre o sistema de justiça criminal e a polícia turca. Sener trabalha para o jornal Milliyet e Sik é o co-autor de um livro sobre a investigação e os julgamentos da Ergenekon. Outros detidos foram o professor Yalcin Küçük, escritor e crítico do partido governista, que já está em julgamento por possíveis ligações com a Ergenekon, e seis funcionários da odaTV.com, site de notícias da oposição, sendo eles: Sait Çakir, Dogan Yurdakul, Mumtaz Idil, Coskun Musluk, Müyesser Yildiz e Iklim Bayraktar.

“A investigação está sujeita a uma ordem de segredo, os detalhes de possíveis provas que justifiquem a investigação e a detenção dos jornalistas não estão disponíveis publicamente,” disse Colville. “Ainda não está claro se os detidos estão sendo investigados por suas atividades legítimas, inerentes às suas funções profissionais como jornalistas e radialistas, ou se há outras provas contra eles alheias a seu trabalho como jornalistas.”