Representantes da ONU e diplomatas de 17 países visitaram Abu Nuwar, onde 26 pessoas tiveram suas casas demolidas no início do mês. Israel deseja transferir populações para expandir assentamento de Ma’ale Adummim.

No início do mês, moradores de Abu Nuwar tiveram suas casas demolidas. Segundo informações da ONU, 18 crianças ficaram desabrigadas. Entre elas, quatro eram deficientes. Foto: UNRWA
Após visita a Abu Nuwar, uma comunidade beduína próxima a Jerusalém, representantes da ONU que atuam no Território Palestino Ocupado solicitaram, nesta quarta-feira (20), a suspensão imediata do projeto de transferência dessas populações planejado por Israel. De acordo com as Nações Unidas, o Estado israelense deseja realocar os beduínos para expandir assentamentos. No início desse mês (6), 26 refugiados palestinos tiveram suas casas demolidas em Abu Nuwar. Desse contingente, 18 eram crianças, das quais quatro eram deficientes.
Após as destruições, os desabrigados receberam assistência em oito tendas residenciais financiadas por doadores. Nos dias 10 e 14 de janeiro, autoridades de Israel confiscaram as barracas. “De acordo com o direito internacional, Israel é responsável por satisfazer as necessidades de palestinos vivendo sob sua ocupação e por facilitar a assistência humanitária, não por impedir a (chegada da) ajuda e pressionar moradores a sair de modo que os assentamentos israelenses possam se expandir”, afirmou o coordenador de Atividades Humanitárias e de Desenvolvimento da ONU para o Território Ocupado Palestino, Robert Piper.
Abu Nuwar está localizada na chamada área E1, para onde o Estado israelense pretende expandir o assentamento de Ma’ale Adummim. O agrupamento beduíno é uma das 46 comunidades na região central da Cisjordânia programadas para serem transferidas para outros três locais. Piper visitou o vilarejo na companhia de diplomatas de 17 países e do diretor de Operações na Cisjordânia para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Felipe Sanchez.
Segundo ambos os representantes das Nações Unidas, a realocação forçada de comunidades beduínas para distritos urbanizados ameaçaria a cultura e as fontes de renda dessas populações, além de constituir uma violação do direito internacional. “A comunidade internacional deve garantir que os planos para transferir essas comunidades sejam revogados, caso desejem proteger a solução de dois Estados”, afirmou Piper.