Após décadas de acontecimentos adversos, não se pode perder oportunidade atual para alcançar a solução de dois Estados.
Mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para o Dia Internacional da Solidariedade com o Povo da Palestina – 29 de novembro

Foto: UNRWA
“Este Dia de Solidariedade, comemorado anualmente, é uma oportunidade para refletir sobre a situação crítica enfrentada pelo povo da Palestina e considerar nossas contribuições coletivas e responsabilidades como Governos, organizações internacionais ou da sociedade civil para a paz entre israelenses e palestinos.
Este ano, a data é observada no momento em que negociadores israelenses e palestinos trabalham em conjunto para obter um acordo pacífico e abrangente para todas as questões. Peço à comunidade internacional para apoiar as partes envolvidas neste esforço ambicioso de concretizar a solução de dois Estados, fazendo com que o conflito chegue ao fim. Todas as partes devem agir responsavelmente e abster-se de ações que prejudiquem o sucesso das negociações.
Estou alarmado com a situação cada vez mais perigosa na região. Há uma escalada de violência e incitação. Embora eu parabenize Israel pela libertação de prisioneiros como parte do acordo para a retomada das negociações, suas atividades de assentamento no território palestino ocupado prosseguem e continuam sendo um motivo de profunda preocupação. Os anúncios de milhares de novas unidades habitacionais não podem ser conciliados com a solução de dois Estados e arriscam o colapso das negociações. Assentamentos violam o direito internacional e constituem obstáculos para a paz. Todos os assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental devem cessar. Medidas que prejudiquem questões do status final não serão reconhecidas pela comunidade internacional.
Enquanto isso, os palestinos continuam sendo deslocados por causa das demolições de casas na Área C da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A situação em Jerusalém Oriental é particularmente preocupante já que, só este ano, cerca de 100 estruturas foram demolidas, deslocando 300 pessoas. Outras centenas de palestinos estão correndo risco porque suas casas foram construídas sem as licenças emitidas por Israel. Isso ressalta a importância do acesso palestino a um planejamento justo e de um regime de zoneamento. Lembro a Israel sua obrigação de proteger a população sob ocupação.
A situação na Faixa de Gaza continua sendo uma fonte de preocupação. Reitero minha condenação a todos os disparos de foguetes contra Israel, além da construção por militantes de túneis para o país. Após a recente descoberta de um túnel, Israel suspendeu a transferência de material de construção para Gaza, até mesmo para projetos humanitários. Embora eu reconheça as legítimas preocupações de segurança de Israel, peço que o país garanta que as necessidades da população civil na região sejam atendidas.
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), uma tábua de salvação para milhões de palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e na região, continua enfrentando sérias dificuldades financeiras. Peço a todos os doadores, incluindo os novos, que façam ou aumentem as contribuições para sustentar as operações indispensáveis e vitais da UNRWA.
A unidade palestina com base nos compromissos da Organização para a Libertação da Palestina e as posições da Iniciativa Árabe para a Paz é essencial para a solução de dois Estados. Peço que os palestinos superem suas divisões rapidamente em prol da unidade.
O objetivo continua claro: o fim da ocupação que começou em 1967 e a criação de um Estado da Palestina soberano, independente e viável, com base nas fronteiras de 1967, vivendo lado a lado e em paz com um Estado de Israel seguro. Jerusalém deve emergir das negociações como a capital dos dois Estados, com disposições para os locais sagrados aceitáveis para todos. Uma solução que agrade ambos os lados deve ser encontrada para os milhões de refugiados da Palestina na região.
Em setembro, os acordos de Oslo completaram 20 anos. Após duas décadas de negociações e muitos acontecimentos adversos, peço aos líderes palestinos e israelenses para que tomem as decisões que darão início a uma solução política para esse conflito grave e de longa data. As Nações Unidas, por meio do seu envolvimento com todos os parceiros pertinentes, incluindo o Quarteto, estão dispostas a contribuir para este processo e para a solução de dois Estados.
Não podemos nos dar o luxo de perder a oportunidade atual. Peço a toda a comunidade internacional que trabalhe em conjunto para traduzir a solidariedade expressa nesta ocasião em ações positivas para a paz e a justiça.”
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Saiba mais sobre o Dia em http://bit.ly/fSbTkF.