No Mali, 5,1 milhões de pessoas vivem em zonas de crise de segurança, onde a incerteza sobre ter ou não o que comer na próxima refeição afeta mais de um quinto da população. Nas regiões do norte do país, 4 milhões de indivíduos não conseguirão satisfazer suas necessidades básicas.

Mulher deslocada do norte de Mali, na região de Sahel, em um abrigo temporário perto da principal estação de ônibus de Mopti. Foto: PNUD/Nicolas Meulders
Em resposta às emergências humanitárias no Mali, organizações de assistência solicitaram a doadores internacionais 263 milhões de dólares para ajudar a população ao longo de 2018. No país africano, cerca de 165 mil crianças vivem com má nutrição aguda e severa. O número representa um aumento de mais de 10% na comparação com a quantidade de meninos e meninas nessa situação registrada em 2017.
A ONU estima que 5,1 milhões de maleses vivam em zonas de crise de segurança, onde a incerteza sobre ter ou não o que comer na próxima refeição afeta mais de um quinto da população. Nas regiões do norte do Mali, 4 milhões de pessoas não conseguirão satisfazer suas necessidades básicas.
Outro problema é o contínuo fechamento de centros de ensino. Em 2016, 297 escolas não funcionavam. No início do ano letivo 2017-2018, eram 500.
A verba solicitada pela ONU e parceiros à comunidade internacional será utilizada para levar alimentos, serviços de saúde e higiene, água e saneamento para os indivíduos em contextos de vulnerabilidade.
O orçamento financiará um plano de resposta que tem foco em assistência direta, fornecimento de meios de subsistência e preparação para situações de emergência. A estratégia também prevê medidas que tragam soluções duradouras, e não pontuais, para os problemas dos maleses.
“O mundo tem de parar de observar a crise por um prisma puramente de segurança”, afirmou o coordenador humanitário da ONU para o país, Mbaranga Gasarabwe. “A atual crise político-securitária se justapõe de forma particular a uma crônica vulnerabilidade a perigos naturais.”
O dirigente explicou que os efeitos das mudanças climáticas são perceptíveis na rarefação e irregularidade das chuvas, no escoamento precoce com baixas no delta interior do rio Níger e no assoreamento de terras cultiváveis.
“Esses fatores causam insegurança alimentar e nutricional e deslocamento forçado de populações, com risco de tensões comunitárias e abandono escolar entre as crianças”, completou.