Grande parte dos refugiados caminham durante semanas, ou mesmo meses, para alcançar a fronteira da RCA com Camarões. Uma travessia qualificada pelo ACNUR como “uma jornada de fome e morte”.

Acampamento improvisado em Camarões. Foto: IRIN/Otto Bakano
Representantes da ONU afirmaram nesta quarta-feira (4) que milhares de mulheres e crianças que fugiram da República Centro-Africana (RCA) para Camarões chegam ao seu destino num “estado chocante”, subnutridos e muito doentes. Os fundos para atendê-los estão acabando e milhares de pessoas podem morrer caso mais recursos não cheguem a tempo.
“Devemos agir agora ou mais crianças sofrerão sem necessidade”, afirmaram a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin, e o chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), António Guterres.
De acordo com agências da ONU que trabalham no terreno, grande parte dos refugiados caminham durante semanas, ou mesmo meses, para alcançar a fronteira da RCA com Camarões. Uma travessia qualificada pelo ACNUR como “uma jornada de fome e morte”.
Guterres explicou que “o desafio é muito maior do que simplesmente propiciar um abrigo seguro — trata-se de tentar salvar vidas”.
O PMA e o ACNUR calculam que, em média, 2 mil refugiados procedentes da RCA chegam ao Camarões semanalmente. Com um déficit de 70% no financiamento do programa de assistência humanitária na região, as agências da ONU apelam para uma contribuição urgente de 15,6 milhões de dólares para cobrir suas operações de emergência na região nos próximos oito meses.