ONU precisa de US$ 4,4 bilhões para atender 20 milhões de pessoas que passam fome em 4 países

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou na quarta-feira (22) que mais de 20 milhões de pessoas estão passando fome no Sudão do Sul, na Somália, no Iêmen e na região nordeste da Nigéria. O chefe das Nações Unidas informou que, para ‘evitar uma catástrofe’, o organismo internacional precisa de pelo menos 4,4 bilhões de dólares até o final de março. ONU só recebeu 90 milhões de dólares.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou na quarta-feira (22) que mais de 20 milhões de pessoas estão passando fome no Sudão do Sul, na Somália, no Iêmen e na região nordeste da Nigéria. O chefe das Nações Unidas informou que, para “evitar uma catástrofe” e atender população em risco, o organismo internacional precisa de pelo menos 4,4 bilhões de dólares até o final de março.

A declaração de Guterres veio logo após o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informar no início da semana (21) que 1,4 milhão de crianças correm o risco de morrer de inanição nos quatro países mencionados pelo secretário-geral.

“A fome já é uma realidade no Sudão do Sul. Se não agirmos agora, outras áreas e outros países podem ser afetados. Já estamos enfrentando uma tragédia. Devemos evitar que isso se torne uma catástrofe”, disse Guterres em coletiva de imprensa em Nova Iorque, ao lado do subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, e das chefes do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, e do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin.

Apesar de algumas promessas generosas, apenas 90 milhões (de dólares) foram recebidos até agora — cerca de dois centavos por cada dólar necessário.

“Apesar de algumas promessas generosas, apenas 90 milhões (de dólares) foram recebidos até agora — cerca de dois centavos por cada dólar necessário. Estamos no início do ano, mas esses números são muito preocupantes. A vida de milhões de pessoas depende de nossa capacidade coletiva de agir. Em um mundo de abundância, não há desculpa para a falta de ação ou indiferença”, sublinhou o secretário-geral.

No Sudão do Sul, a ONU e os parceiros humanitários pretendem dar assistência a 5,8 milhões de pessoas em 2017. Na Somália, a 5,5 milhões. E no Iêmen, a 8,3 milhões de civis. No nordeste da Nigéria, agências atendem mais de 2 milhões de indivíduos com programas de assistência alimentar.

“Essas quatro crises são diferentes, mas têm uma coisa em comum: todas são evitáveis. Elas são o resultado de conflitos, e para combater o problema, a comunidade internacional deve agir urgentemente e de forma decisiva”, afirmou Guterres.

O secretário-geral pediu aos países que façam o possível para ajudar, seja através de apoio, pressão política sobre as partes em conflito ou financiamento das operações humanitárias.

Guterres também solicitou às partes beligerantes em cada contexto de crise que respeitem o direito humanitário internacional, permitindo o acesso das equipes de ajuda. O dirigente máximo da ONU explicou que, sem acesso, centenas de milhares de pessoas podem morrer.

Stephen O’Brien, chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), enfatizou a necessidade de unir esforços para assegurar que os parceiros de desenvolvimento e de ajuda humanitária trabalhem juntos no enfrentamento a crises.

“Queremos ajudar as pessoas a sobreviver. Mas também queremos ajudá-las a construir soluções mais duradouras, para que elas não sejam deixadas em situações vulneráveis”, frisou.

“A catástrofe pode ser evitada se a ação for tomada agora. O financiamento apontado pelo secretário-geral deve ser disponibilizado até o final de março para fazermos a diferença”, acrescentou.