ONU preocupada com os milhares de haitianos que deixam seu país, de forma precária, pelo mar

“Apesar de não existirem estatísticas, estima-se que centenas de mortes ocorrem anualmente como resultado”, afirmou a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Melissa Fleming.

Costa noroeste do Haiti. (ONU/Logan Abassi)

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) expressou hoje (13) preocupação com o crescente número de pessoas no Haiti e outros países do Caribe que arriscam suas vidas em busca de uma vida melhor em outros países pelo mar. “Apesar de não existirem estatísticas, estima-se que centenas de mortes ocorrem anualmente como resultado”, afirmou a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming.

Na terça-feira (10), uma mulher se afogou quando um barco que transportava mais de 100 imigrantes haitianos encalhou perto do Bahamas. Em um incidente anterior, em 12 de junho, mais de uma dúzia de haitianos perderam suas vidas em águas de Bahamas e Estados Unidos ao tentar chegar às costas da Flórida, informou o ACNUR.

“Estes eventos são um lembrete dos extremos aos quais as pessoas em situações difíceis, às vezes, recorrem”, disse Fleming.

No Haiti, cerca de 420 mil pessoas ainda estão vivendo em acampamentos em torno da capital, Porto Príncipe, e no resto do país. A situação política permanece tensa, com aumento dos níveis de criminalidade e insegurança.

De acordo com dados da guarda costeira dos EUA, desde dezembro de 2011 mais de 900 pessoas foram encontradas em barcos em operações de resgate ou de interceptação, incluindo 652 haitianos, 146 cubanos e 111 pessoas da República Dominicana.

“O ACNUR continua defendendo a criação de dispositivos de proteção adequados para indivíduos detidos no mar, e espera que tais tragédias possam ser evitadas no futuro através de uma cooperação internacional reforçada na região”, disse Fleming.