ONU presta tributo a Shimon Peres, incansável na luta pela paz no Oriente Médio

“Ele lutou incansavelmente para uma solução de dois estados que assegurasse a Israel viver com segurança e harmonia com os palestinos e toda a região, um comprometimento reconhecido quando ele dividiu o Prêmio Nobel da Paz com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, em 1994”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ban Ki-moon recebe Shimon Peres - Foto: ONU /Evan Schneider

Ban Ki-moon recebe Shimon Peres – Foto: ONU /Evan Schneider

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, prestou tributo a Shimon Peres, ex-presidente de Israel e vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1994, que faleceu na manhã desta quarta-feira (28), aos 93 anos.

“Estou profundamente triste”, disse Ban ao oferecer condolências à família, amigos e ao povo de Israel, lembrando que Shimon Peres teve papel fundamental na fundação de Israel, país ao qual serviu durante toda a vida, não apenas como presidente mas também como primeiro-ministro e ministro das relações exteriores e da defesa, além de outros cargos importantes.

“Ele lutou incansavelmente para uma solução de dois estados que assegurasse a Israel viver com segurança e harmonia com os palestinos e toda a região, um comprometimento reconhecido quando ele dividiu o Prêmio Nobel da Paz com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, em 1994”, afirmou o secretário-geral. Ele lembrou que Shimon Peres foi um grande parceiro das Nações Unidas, sempre disposto a contribuir para o trabalho da comunidade internacional.

“Mesmo nas horas mais difíceis, Peres mantinha o otimismo quanto às perspectivas de reconciliação e paz”, afirmou  Ban. E lembrou um discurso feito pelo ex-presidente de Israel na ONU: “Já é tempo de compreender que o verdadeiro triunfo está na colheita da paz, não nas sementes de outra guerra. Quando trocarmos mapas de guerra por mapas de paz, descobriremos que as diferenças eram mínimas. As guerras foram deploráveis. Conseguiremos ver que a terra prometida poderia ser a terra prometida há muito tempo”.

Ban Ki-moon pediu ainda que o espírito de determinação de Shimon Peres “nos guie no trabalho para assegurar a paz, a segurança e a dignidade para israelenses, palestinos e todas as pessoas da região”.

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, disse que  Peres “era um grande estadista, um grande humanista e um histórico homem de paz”.

“Ele deixa uma marca indelével na história do Oriente Médio e, hoje, a mensagem dele é mais relevante do que nunca, para abrir caminho para a paz e o respeito mútuo na região”, afirmou.

Ela lembrou que, como fundador do Estado de Israel, ele permaneceu até o fim da vida um homem de ideias e valores, um homem de inovação e pensamento criativo, sempre em busca de mobilizar mais esperança e energia, sempre buscando novos caminhos para promover o diálogo e a cooperação, especialmente através da ciência, tema pelo qual tinha paixão.