ONU prevê retomada do investimento pré-crise financeira em dois anos

O Investimento Direto Estrangeiro global aumentou 5% em 2010, quase a metade em direção aos países em desenvolvimento. Modos Não Equitativos da Produção geraram mais de dois trilhões de dólares em vendas, apontou o Relatório de Investimento Mundial 2011.

Relatório Investimento Global 2011O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) global aumentou 5% em 2010, mas o valor não foi suficiente para superar as médias anteriores à crise financeira de 2008. Durante esse ano as economias em desenvolvimento absorveram quase a metade dos fluxos mundiais.

As informações fazem parte do Relatório de Investimento Mundial 2011 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgado hoje (26/07). A publicação revela que o IDE esteve 37% abaixo do auge registrado em 2007. A expectativa, no entanto, é que em dois anos, os investimentos recuperem o patamar pré-crise, apesar do aumento no número de medidas protecionistas no mundo. Uma das evidências da recuperação é o ritmo acelerado das transações internacionais, com até três contratos assinados por semana.

O relatório chama ainda atenção para os “Modos Não Equitativos da Produção e do Desenvolvimento Internacional”. O termo do inglês “Non-Equity Modes” (NEMs) trata de relações comerciais similares ao ‘franchising’ e aos serviços terceirizados, em que acordos contratuais definem as condições de operação e comportamento das empresas parceiras no país estrangeiro.

Essa tem sido uma opção cada vez mais usada entre as companhias transnacionais. Em 2010 atividades transfronteiriças relacionadas aos NEMs geraram mais de dois trilhões de dólares em vendas, empregou até 16 milhões de trabalhadores em países em desenvolvimento e respondeu entre 70 e 80% das exportações mundiais em algumas indústrias.

A modalidade traz benefícios aos países em desenvolvimento, mas também alguns ricos que precisam ser contornados com políticas de crescimento bem planejadas. O relatório alerta que empresas transnacionais podem usar os NEMs para contornar normas sociais e ambientais, gerar empregos cíclicos ou de fácil mobilidade. Os países que recebem estes fluxos também precisam estar atentos para não estagnar sua produção em atividades com baixo valor agregado.