Para concluir as atividades em torno dos “16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero” junto às populações indígenas abrigadas em Boa Vista, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Fraternidade Federação Humanitária Internacional realizaram na segunda-feira (10) uma exposição com desenhos feitos por mulheres e homens das etnias warao e eñepà que vivem no abrigo Pintolândia.

Mulheres indígenas venezuelanas apresentam dança tradicional no marco dos 16 dias de ativismo. Foto: ACNUR/Flavia Faria. 
No abrigo do Pintolândia, mulheres indígenas venezuelanas dançam com os vestidos confeccionados durante as atividades de conscientização contra a violência de gênero. Foto: ACNUR/Flavia Faria. 
Indígenas venezuelanos apresentam e falam sobre os desenhos que desenvolveram sobre as mulheres. Foto: ACNUR/Flavia Faria. 
A solicitante de refúgio Argenia, 39, com a filha Yarene, 2, e seus vestidos costurados durante as atividades. Foto: ACNUR/Flavia Faria 
Mulheres indígenas venezuelanas apresentam dança tradicional no abrigo do Pintolândia. Foto: ACNUR/Flavia Faria.
Um dos desenhos espalhados pelo abrigo do Pintolândia dizia em destaque: “tida oriwaka isiko jakitane ja”, que em warao significa “toda mulher deve ser feliz”. E foi entre cores, dança e palavras de reconhecimento e resiliência, que venezuelanas e venezuelanos indígenas celebraram o combate à violência contra as mulheres.
Para concluir as atividades em torno dos “16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero” junto às populações indígenas abrigadas em Boa Vista, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Fraternidade Federação Humanitária Internacional realizaram na segunda-feira (10) uma exposição com desenhos feitos por mulheres e homens das etnias warao e eñepà que vivem no abrigo Pintolândia.
Durante a atividade, as mulheres indígenas exibiram vestidos costurados por elas mesmas com representações de suas culturas, e apresentaram danças típicas das duas etnias.
A sugestão de costurar vestidos para celebrar os 16 dias de ativismo surgiu das próprias mulheres. Elas entendem que o conhecimento e a prática da costura resgatam conhecimentos ancestrais e as tornam mais fortes.
A solicitante de refúgio Argenia*, de 39 anos, veio de Tucupita e está há quatro meses no Brasil. Ela conta que, em meio a todas as dificuldades enfrentadas ao longo de sua jornada, a atividade foi muito importante por oferecer a oportunidade de colocar essa habilidade em prática, uma vez que tantas referências já ficaram para trás.
“Nos sentimos mais fortes, mais protegidas, mais mulheres”, conta ela, que durante a oficina preparou um vestido para sua pequena Yarene, de 2 anos, para quem também pretende passar os conhecimentos tradicionais da cultura warao.
E foi assim com Aleida, de 21, solicitante de refúgio, que aprendeu com sua mãe desde muito cedo.
Ela conta que a atividade foi muito simbólica, não apenas por representar o resgate da ancestralidade, mas também por proporcionar um momento de união entre as mulheres, que foram forçadas a deixar tudo para trás na Venezuela.
“Quando pensamos nos waraos, pensamos em resistência. Somos guerreiras, fortes e lutadoras”, completa a jovem, que sonha em reconstruir sua vida no Brasil.