ONU publica informação captada por satélites que revela dimensão dos danos na Faixa de Gaza

Imagens confirmam que 15.264 edifícios foram destruídos ou danificados. De 101 centros de saúde, 18 foram destruídos ou danificados e 31 escolas não podem funcionar.

Foto: UNOSAT/reprodução

Foto: UNOSAT/reprodução

Um mês após a assinatura do cessar-fogo em Gaza, uma equipe do Programa de Aplicações Operacionais por Satélite das Nações Unidas (UNOSAT) realizou uma avaliação através de satélite dos danos provocados no enclave, durante os 50 dias de operação militar israelense.

Publicadas em setembro, as imagens do relatório ilustram uma situaçao crítica que, junto à análise que está sendo realizada no terreno, servirá como base para estabelecer as estratégias de recuperação e reconstrução sustentável da região.

O UNOSAT possui um histórico em mapear a destruição na Faixa de Gaza, ao ter documentado, através de imagens satelitais, todas as principais crises no território. Comparando os destroços de ambos conflitos, o relatório determinou que a extensão e a gravidade dos danos em 2014 foram superiores à última crise vivida pelos palestinos em 2008-2009. Os dados mostram um aumento de 273% de edifícios destruídos – ou 4.288 a mais que o período anterior – e um crescimento de 941% de danos graves – constatando a destruição parcial de 3.186 edifícios a mais que em 2008-2009.

As imagens de satélite confirmaram que em total 15.264 edifícios foram destruídos ou danificados de forma grave ou moderada. Além disso, foram detectadas 7.472 crateras. Dos 101 centros de saúde avaliados, 18 foram destruídos ou danificados e 31 escolas não estão habilitadas para a volta às aulas. Os danos na agricultura foram igualmente impactantes, com um total de 1.855 hectares de terra arrasados ou gravemente danificados, e outras 1.263 estufas destruídas ou danificadas.

Dados captados durante o conflito

Parte dos dados coletados pela agência da ONU foram captados durante o conflito, quando o UNOSAT desempenhou um papel fundamental ao mapear o território para determinar o nível de segurança e facilitar a entrega de assistência durante as pausas humanitárias.

“Este é um exemplo ideal de fluxo de trabalho para nós: durante o pico da crise produzimos informação rápida para as agências responsáveis em atender à população em áreas que não poderiam alcançar de forma segura; posteriormente complementamos a informação adquirida durante a emergência com dados mais extensos e precisos que fornecemos para as agências responsáveis pela recuperação inicial e para ajudar as autoridades nacionais a avaliarem os danos e o plano de reconstrução”, disse o gerente do UNOSAT, Einar Bjorgo.

Para o escritório de Coordenação das Nações Unidas de Ajuda Humanitária em Jerusalém, essa informação foi imprescindível para ilustrar o tamanho e gravidade dos danos, bem como apontar as necessidades da população sitiada e prover informação-chave para produzir o Atlas da Crise em Gaza, um material de orientação para as organizações de operação de emergência e os doadores.

Considerando que nem todos os danos podem ser capturados por satélite, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para a Assistência das Pessoas Palestinas (UNDP/PAPP) em Jerusalém, sob a liderança do governo palestino, usou a informação compilada no relatório para alimentar a avaliação no terreno realizada em toda a Faixa de Gaza e detectar outros danos mais leves que não podem ser capturados do espaço aéreo e assim poder avaliar o custo da reconstrução.