ONU quer ação mais eficaz pelo fim da violência sexual em zonas de guerra

Secretário-Geral pede a Conselho de Segurança que aumente pressão política e financeira sobre os que cometem, comandam ou toleram estupros em áreas de conflito.

Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon participa da reunião do Conselho de Segurança que discutiu a violência sexual . Foto: ONU/Rick Bajornas

Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, participa de reunião do Conselho de Segurança sobre violência sexual. Foto: ONU/Rick Bajornas

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e sua Representante Especial para Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura, pediram ao Conselho de Segurança da ONU que aumente a pressão política e financeira sobre aqueles que cometem, comandam ou toleram a violência sexual em zonas de guerra.

Ban afirmou na reunião da quarta-feira (17) que os governos são os principais responsáveis pela prevenção da violência sexual, mas que a comunidade internacional deve intensificar seus esforços coletivos para erradicar as causas e prevenir os ataques. Mulheres e meninas são as maiores vítimas deste tipo de violência, que também afeta homens e meninos.

“Para ter sucesso, devemos usar todas as ferramentas à nossa disposição. Isso inclui nossas missões de manutenção da paz e políticas, nossos esforços de mediação, de proteção dos direitos humanos e de fornecimento de assistência humanitária”, declarou Ban.

Bangura destacou o último relatório do Secretário-Geral sobre o tema, que analisa 22 áreas de conflito, pós-conflito e situações preocupantes. Um dos temas-chave do documento é a relação entre a violência sexual e a extração ilegal de recursos naturais.

A Representante Especial também discutiu a violência sexual como um motor de deslocamento civil e como uma tática de interrogatório. Bangura ressaltou a situação das mulheres forçadas a se casar e a escravidão sexual por grupos armados.

Bangura insistiu para o Conselho “elevar o custo e as consequências” para aqueles que cometem estupro.

“A violência sexual tem sido usada ao longo dos tempos precisamente porque é uma arma muito barata e devastadora, mas mais mortal do que qualquer bomba. Podemos e devemos reverter essa realidade, punindo quem comete, comanda ou tolera a violência sexual em conflitos”, disse Bangura, acrescentando que apesar do grande empenho da ONU, a Organização não pode substituir a vontade política e a ação das autoridades nacionais.