ONU quer que Israel diminua restrições econômicas e de circulação de pessoas em Gaza

Limitações impostas em 35% das terras agrícolas e em dois terços das áreas de pesca resultaram em perdas econômicas anuais estimadas em mais de 76 milhões de dólares.

As condições de vida continuam a deteriorar-se em Gaza e na Cisjordânia sob o bloqueio de Israel. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

As condições de vida continuam a deteriorar-se em Gaza e na Cisjordânia sob o bloqueio de Israel. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

O coordenador humanitário da ONU para o território palestino ocupado, James W. Rawley, pediu nesta quarta-feira (3) que o governo de Israel diminua as restrições econômicas e de circulação de pessoas na Faixa de Gaza.

Rawley realiza visita a Gaza, onde se encontrou com agricultores e pescadores prejudicados por estas limitações.

Estimativas recentes mostraram que 57% das pessoas em Gaza não têm dinheiro para comprar comida suficiente e 80% das famílias recebem algum tipo de ajuda internacional. Segundo Rawley, as restrições de longo prazo em 35% das terras agrícolas e em mais de dois terços das áreas de pesca resultaram em perdas econômicas anuais de mais de 76 milhões de dólares.

“O impacto cumulativo das restrições de Israel, algumas das quais estão em vigor há mais de uma década, tem devastado a subsistência de famílias em Gaza, como os agricultores e pescadores que conhecemos hoje”, disse Rawley, que também é vice-coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio.

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também observou que antigas restrições à circulação de pessoas e bens em Gaza continuaram a minar as condições de vida da população local – 1,7 milhão de pessoas.

“Muitas das atuais restrições, originalmente impostas no início de 1990, foram intensificadas em junho de 2007, após a tomada de Gaza pelo Hamas e a imposição de um bloqueio por parte de Israel”, afirmou o OCHA.