ONU reforça pedido para que Egito autorize acesso de especialistas em direitos humanos

Secretário-geral das Nações Unidas pede retomada de processo político e contenção da violência. UNESCO condena danos a patrimônios históricos e oferece apoio técnico para proteção.

Manifestantes em confronto com a polícia no Cairo. Foto: IRIN/Amr Emam

As Nações Unidas reforçaram nesta terça-feira (20) o pedido para que as autoridades egípcias permitam o acesso de especialistas em direitos humanos para avaliar a situação do país.

O apelo acontece um dia depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenar veementemente a emboscada que matou ao menos 25 policiais no Sinai. O ataque aconteceu horas depois de 36 prisioneiros serem mortos durante a transferência entre cadeias.

Também na segunda-feira (19), a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, condenou os ataques contra as instituições culturais do Egito após relatos de que o museu nacional na cidade de Minya havia sido saqueado e monumentos de importância religiosa em Fayoum e no Cairo, destruídos. Ela afirmou que “tratam-se de danos irreversíveis para a história e a identidade do povo egípcio”.

Bokova pediu às autoridades egípcias que garantam a proteção e a integridade dos museus, locais e edifícios históricos, incluindo os de importância religiosa. Ela reiterou a disponibilidade da UNESCO para prestar apoio técnico e mobilizar organizações parceiras da Convenção de 1970 contra o Tráfico Ilícito de Patrimônio Cultural.

Ban afirmou no sábado (17) que os ataques às instalações públicas, hospitais e igrejas são inadmissíveis. De acordo com a imprensa, as forças de segurança egípcias entraram em confronto com partidários do ex-presidente Mohamed Morsi na mesquita central do Cairo, onde dezenas de manifestantes da Irmandade Muçulmana buscavam refúgio da violência, o que resultou em mais de 500 mortes e milhares de feridos ao longo dos quatro dias anteriores.

“O secretário-geral da ONU está alarmado com a situação no Egito, com o surto generalizado de protestos violentos e o uso excessivo da força ao lidar com eles. Ele acredita que evitar mortes deve ser a prioridade dos egípcios neste momento”, disse o porta-voz em comunicado. Ban ressaltou que a situação é inaceitável e apelou às autoridades para conter a violência e retomar o processo político imediatamente.

O país vem passando por uma transição democrática desde a derrubada do presidente Hosni Mubarak, há dois anos. Em julho deste ano, a retomada dos protestos em massa levou os militares egípcios a depor o presidente Mohamed Morsi, suspender a Constituição e criar um governo interino.