ONU renova pedido por trégua humanitária na Síria após 11 mortes; negociações de paz são retomadas

Cessar-fogo para entrega de assistência no centro antigo de Homs não é respeitado e agentes viram alvos de ataques. Mais de 800 civis são retirados da região após quase dois anos sem qualquer ajuda.

Funcionários do Programa Mundial de Alimentos em rua deserta de Baba Amer, Homs, Síria, em junho de 2013. Foto: PMA/Laure Chadraoui

As negociações de paz na síria mediadas pelas Nações Unidas e pela Liga dos Países Árabes foram retomadas nesta segunda-feira (10) após dez dias da primeira rodada, concluída com pouco progresso para acabar com a guerra civil.

O cessar-fogo de três dias que havia sido acordado para permitir a entrega de assistência humanitária no centro antigo de Homs, sitiado há aproximadamente dois anos, foi violado no sábado (8). Agentes da ONU e do Crescente Vermelho que estavam no comboio viraram alvos de violência deliberada praticadas pelas partes em conflito. Apesar da retirada de mais de 800 das 2,5 mil pessoas que estavam sem qualquer tipo de ajuda, 11 morreram na operação. Alimentos e medicamentos foram distribuídos.

A coordenadora humanitária da ONU declarou que é “absolutamente inaceitável” que agentes tenham sido atacados. Valerie Amos pediu também nesta segunda-feira que a comunidade internacional pressione pela responsabilização tanto do governo quanto da oposição e exija que seja respeitada a nova trégua de três dias para a saída em segurança de civis que desejam deixar a Homs antiga.

As discussões de paz agora devem ser centradas no fim da violência e do terrorismo e no estabelecimento de um governo de transição. A base da negociação é a plena implementação do Comunicado de Genebra de 2012, a primeira conferência internacional sobre o conflito na Síria, que pede um governo de transição para liderar eleições lives e justas e o fim da guerra que matou mais de 100 mil pessoas desde março de 2011, quando começou o levante contra o presidente Bashar Al-Assad.

Amos disse esperar que a nova rodada permita a entrega prolongada de assistência a 250 mil pessoas em 40 comunidades sitiadas no país e a todos aqueles desesperados por ajuda.