ONU retoma distribuição de alimentos na República Centro-Africana após ataque forçar paralisação

Homens armados com facões invadiram centro de distribuição do Programa Mundial de Alimentos na capital, Bangui. Roubo obrigou organização a suspender entrega por três semanas.

Programa Mundial de Alimentos já forneceu ajuda a mais de 500 mil deslocados na República Centro-Africana. Foto: PMA/Djaounsede Pardon Madjiangar

A ONU retomou nesta terça-feira (7) a assistência alimentar para cerca de 100 mil pessoas deslocadas em Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA). A ajuda foi interrompida em 18 de dezembro depois que homens com facões atacaram o local da distribuição e roubaram os suprimentos.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) distribuiu comida, baldes, lonas e recipientes de água fornecidos por outras organizações no aeroporto de Bangui, onde um número estimado de 100 mil pessoas estão abrigadas, e planeja chegar a todos os deslocados que lá estão dentro de dez dias.

O PMA expressou profunda preocupação com a deterioração da segurança no noroeste do país e pediu a todas as partes envolvidas no conflito que garantam acesso seguro às pessoas que precisam de ajuda.

Mais de 935 mil pessoas foram deslocadas internamente no país, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A estimativa é que outros milhares tenham sido mortos e que 2,2 milhões – quase metade da população – necessitem de ajuda humanitária.

O relator especial da ONU sobre direitos humanos de pessoas internamente deslocadas, Chaloka Beyan, chamou atenção para a necessidade de fortalecer a resposta da comunidade internacional para proteger e ajudar os que estão fugindo da violência, especialmente mulheres, crianças e pessoas com deficiências.

“O aumento das crises em outros lugares não deveria afetar a escala da resposta que é urgentemente necessária na República Centro-Africana”, afirmou Beyan.

O especialista também destacou a necessidade de concessão “sem demora” do acesso imediato das agências humanitárias às pessoas deslocadas, incluindo aos que estão abrigados no aeroporto de Bangui.

O conflito emergiu há um ano, quando rebeldes de maioria muçulmana do grupo Séléka lançaram uma série de ataques e forçaram o presidente François Bozizé a fugir do país em março de 2013. Desde então, um governo de transição foi encarregado de restaurar a paz e abrir caminho para eleições democráticas. Entretanto, conflitos armados entre antigos membros do grupo Séléka e milícias cristãs antiBalaka se intensificaram nas últimas duas semanas.