O documento alega que, durante um ataque das forças em 29 de outubro deste ano, pelo menos 20 mulheres foram sequestradas, espancadas e vítimas de violência sexual pelos militantes.

Pessoas deslocadas em uma fila no centro de distribuição de alimentos em Juba, no Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine
A Divisão de Direitos Humanos da Missão da ONU para o Sudão do Sul (UNMISS) divulgou um relatório nesta sexta-feira (19) sobre os abusos e violações dos direitos humanos cometidos durante um ataque das forças de oposição do atual governo aos civis em Bentiu, capital do estado de Unity, em 29 de outubro deste ano.
Mesmo com as investigações sobre o incidente ainda em andamento, o documento demonstra que as forças da oposição cometeram abusos de direitos humanos e violações graves do direito internacional humanitário, que podem ser considerados crimes de guerra.
Foram realizadas cerca de 21 entrevistas com vítimas, testemunhas do ataque, bem como outras fontes. Entre as alegações, oito homens que estavam abrigados em uma igreja católica foram espancados e mortos. Duas mulheres e um bebê de seis meses foram mortos em suas casas. Além disso, pelo menos 20 mulheres foram sequestradas, espancadas e vítimas de violência sexual pelos militantes das forças da oposição.
“Este relatório é um lembrete oportuno da luta que tem prosseguido em Unity, Alto Nilo e Jonglei, apesar do Acordo de Cessação das Hostilidades que ambas as partes assinaram há quase um ano”, disse a representante especial do secretário-geral da ONU no Sudão do Sul, Ellen Margrethe Løj.
“Condeno fortemente o ataque à civis desarmados em combates em curso e peço ambas as partes envolvidas a exercerem moderação e respeitarem os direitos dos não-combatentes”, acrescentou.