Apesar do cessar-fogo na cidade de Homs ter sido prolongado pela terceira vez seguida, coordenadora humanitária da ONU destaca progresso limitado no alcance de ajuda humanitária no país.

O representante especial conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi. Foto: ONU / Violaine Martin
Após uma reunião com representantes dos Estados Unidos e da Rússia, o representante especial conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, disse na quinta-feira (13) que os dois países prometeram continuar trabalhando com a ONU para avançar com as negociações de paz na Síria.
As conversas entre o governo sírio e a oposição mediadas pela Organização foram retomadas na última segunda-feira (10) após uma primeira rodada que terminou com poucos progressos.
O objetivo é implementar o Comunicado de Genebra de 2012, que estabelece um governo de transição no país para posteriores eleições livres e justas.
Brahimi, porém, disse estar muito animado pelos progressos na cidade síria sitiada de Homs, onde o cessar-fogo foi estendido pela terceira vez, possibilitando que a população tenha acesso a mais ajuda humanitária.
Já a coordenadora humanitária da ONU, Valerie Amos, ressaltou a necessidade de uma ação imediata para proteger os civis e dar acesso às pessoas necessitadas no país, já que o conflito na Síria está mais intenso.
Amos destacou que nunca o país foi tão perigoso para os trabalhadores humanitários como nos últimos meses. Quinze deles morreram desde outubro. Segundo ela, é “inaceitável” que o direito internacional humanitário continue sendo flagrantemente violado por todas as partes do conflito.
Embora observando um progresso “modesto” na frente humanitária, Amos afirmou ao Conselho que o progresso é extremamente limitado, desigual e demasiado lento, já que a ONU não tem sido capaz de alcançar muitas regiões do país.
“Apesar de notável, os acontecimentos na Cidade Velha (de Homs) não podem servir de modelo. Por que? Foi um sucesso, dadas as circunstâncias difíceis, mas acho que é difícil descrever como progresso”, disse ela, acrescentando que “nosso pessoal estava sob o fogo cruzado; nós evacuamos 1.400 pessoas (mas) há quase 250 mil pessoas para sair de comunidades sitiadas; e nós fornecemos comida e medicamentos para 2.500 pessoas, (porém) mais de 3 milhões de pessoas ainda estão em comunidades de difícil acesso. Então isso é bom para 2.500 pessoas, mas (a situação continua) ruim para 3 milhões”.
Ela pediu aos membros do Conselho para usarem de toda a sua influência para garantir que o cessar-fogo em Homs seja respeitado e que outras comunidades sitiadas consigam receber ajuda humanitária.