“O LRA [grupo rebelde] continua ameaçando a segurança da população nas áreas onde atua e aumentou notavelmente seus ataques na República Centro-Africana, além de estender suas ações em áreas que, antes, havia pouco ou nenhum movimento do grupo”, disse o enviado do secretário-geral da ONU na região em seu relatório ao Conselho de Segurança.

Menino refugiado congolês em uma escola de emergência em Obo, na República Centro-Africana, depois de fugir de ataques do grupo Exército de Resistência do Senhor (LRA). Foto: OCHA / Lauren Paletta
O chefe do Escritório Regional das Nações Unidas para a África Central (UNOCA), Abdoulaye Bathily, afirmou na semana passada (15) que está preocupado com as consequências da retirada potencial das tropas ugandenses das operações contra o grupo Exército de Resistência do Senhor (LRA) na República Centro-Africana, ressaltando que a saída do apoio militar de Uganda deve ser bem coordenada.
“O LRA continua ameaçando a segurança da população nas áreas onde atua e aumentou notavelmente seus ataques na República Centro-Africana, além de estender suas ações em áreas que, antes, havia pouco ou nenhum movimento do grupo”, disse Abdoulaye Bathily, em seu relatório ao Conselho de Segurança.
Embora a realização das eleições presidenciais e legislativas na República Centro-Africana tenha colocado o país de volta ao caminho da paz e do desenvolvimento, os desafios no país, atualmente, permanecem imensos, especialmente no contexto da segurança e de necessidades humanitárias.
“Os grupos armados ainda controlam grandes partes do país, e o governo está precisando do apoio político, programático e financeiro da comunidade internacional, para que se garanta o restabelecimento da autoridade do Estado em todo o país”, explicou Bathily.
Ainda de acordo com Abdoulaye Bathily, integrantes do grupo LRA — o “Exército de Resistência do Senhor”, conhecido por sua sigla em inglês — também continuam atacando a população civil no nordeste da República Democrática do Congo (RDC).
A respeito do Boko Haram, Bathily disse que os esforços coletivos dos países do Lago Chade reduziram a capacidade do grupo de realizar ataques frequentes. As operações transfronteiras realizadas pela Força Tarefa Multinacional Conjunta (MNJTF), por exemplo, resultaram na captura de integrantes do grupo, na soltura de reféns e na recuperação de territórios ocupados.
No entanto, de acordo com Bathily, o Boko Haram ainda continua representando uma séria ameaça para a estabilidade regional. Embora a assistência humanitária tenha sido mobilizada para as populações afetadas pelo grupo, o número de deslocados internos e refugiados que fogem da violência da organização armada continua aumentando. Além disso, o financiamento é limitado para enfrentar as crescentes necessidades humanitárias.
“Por essas razões, é crucial que os parceiros internacionais mantenham o seu apoio à região, a fim de acabar com a ameaça representada pelo grupo, bem como empreendam uma abordagem regional holística, como a realizada durante a II Cúpula sobre Segurança Regional, realizada em Abuja em 14 de maio”, concluiu o chefe da UNOCA, pedindo que a comunidade global apoie a MNJTF através da mobilização de apoio político, logístico e financeiro necessários.