ONU saúda condenação de ex-Presidente liberiano por crimes de guerra e contra a humanidade

Charles Taylor pode recorrer. Resultado é “dura advertência aos que comentem ou pensam em cometer crimes semelhantes”, avalia Chefe de Direitos Humanos, Navi Pillay.


A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, saudou hoje (26/04) a condenação do ex-Presidente da Libéria Charles Taylor e chamou a sentença de “pedra fundamental” no desenvolvimento da justiça internacional. “Taylor ainda pode recorrer, e a sua culpa não está confirmada até o fim do processo jurídico”, disse. “Mesmo assim, qualquer que seja o resultado, é sem dúvida um momento histórico.”

“Um ex-Presidente, que já exerceu uma enorme influência em um país vizinho ao lugar onde dezenas de milhares de pessoas foram mortas, mutiladas, estupradas, roubadas e repetidamente deslocadas por anos a fio, foi preso, julgado por meio de procedimento internacional minucioso e justo e agora foi condenado por crimes muito sérios”, relatou Pillay.

Mais cedo, a Corte Especial de Serra Leoa (SCSL) expediu sentença contra Taylor por planejamento, auxílio e cumplicidade em crimes de guerra e contra humanidade. Ele foi julgado por 11 acusações, incluindo pilhagem, escravidão para fins de casamento forçado, punição coletiva e recrutamento e uso de crianças-soldado. As acusações indicavam apoio a dois grupos rebeldes – Conselho Revolucionário das Forças Armadas e Frente Revolucionária Unida – durante a guerra civil de Serra Leoa. Taylor declarou-se inocente.

“Isso é extremamente significativo, e uma dura advertência a outros Chefes de Estado que cometem ou pensam em cometer crimes semelhantes”, disse a Alta-Comissária.  “Esta é a primeira vez, desde Nuremberg, que um tribunal internacional sentenciou um antigo Chefe de Estado.”

Pillay destacou que outros líderes – nomeadamente Laurent Gbagbo e Radovan Karadzic – também foram acusados ​de crimes internacionais e já estão ou logo estarão em julgamento. O presidente sudanês Omar al-Bashir também foi indiciado, enquanto Slobodan Miloševiæ e Muammar Kadafi também estavam em várias fases do processo internacional quando morreram.

“Os dias em que tiranos e assassinos em massa poderiam, mesmo quando depostos, aposentar-se com uma vida de luxo em outra terra acabaram”, disse Pillay. “E assim deve ser. Poucas coisas são mais repugnantes do que ver pessoas com tanto sangue em suas mãos vivendo com o dinheiro roubado, sem nenhuma perspectiva de que suas vítimas vejam a justiça sendo feita.”