O ACNUR afirmou que muitas das 380 mil pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas por causa do conflito no norte do país pretendem voltar em breve.
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) anunciou nesta terça-feira (29) que está se preparando com urgência para um possível retorno espontâneo de milhares de pessoas que tiveram que deixar suas cidades e vilas devido aos conflitos no norte do Mali. Estima-se que cerca 380 mil pessoas abandonaram suas casas e destas, 230 mil estão deslocadas internamente e mais de 150 mil buscaram refúgio nos países vizinhos.
Com base em entrevistas a pessoas deslocadas internamente ao longo dos últimos dias, o ACNUR afirmou que muitas delas estão esperando voltar em breve para Gao, Tombuctu e Kidal, além de áreas vizinhas, apesar da grave escassez de alimentos, água potável e combustível na região.
Uma missão de avaliação de segurança da ONU confirmou que algumas pessoas já estão regressando à cidade de Konna, Mali Central. Até metade da população da cidade, de 10 mil habitantes, teria fugido depois que combatentes rebeldes invadiram a cidade em 10 de Janeiro, o que levou a uma intervenção militar francesa.
O ACNUR e outras agências da ONU, como o Programa Mundial de Alimentos (PMA), tem trabalhado para levar itens de ajuda humanitária para deslocados no Mali, incluindo colchonetes, cobertores, lonas plásticas, mosquiteiros, alimentos e utensílios de cozinha.
Ainda na terça-feira, o Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, representou a ONU na conferência de doadores para o Mali realizada na sede da União Africana, em Adis Abeba, Etiópia, onde os doadores internacionais prometeram 455 milhões de dólares que podem ser doados para dois fundos, um da Missão de Apoio Internacional liderada pela África no Mali (AFISMA) e outro das forças de defesa do Mali.