“O assassinato sistemático de milhões de judeus europeus no Holocausto mostrou o antissemitismo em sua forma mais monstruosa”, disse Ban. “A Organização das Nações Unidas, que quer ser fiel aos seus objetivos e ideais fundadores, tem o dever de se manifestar contra o antissemitismo”.
Durante uma reunião da Assembleia Geral, nesta quinta-feira (22), para fazer frente às preocupações de um aumento da violência antissemita em todo o mundo, membros das Nações Unidas ecoaram a opinião do orador principal, Bernard-Henri Lévy, que lamentou o “renovado avanço dessa desumanidade radical”.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou, em mensagem aos participantes do encontro na Assembleia Geral, em Nova York, sua solidariedade na luta mundial contra o antissemitismo e lembrou que os judeus sofreram de violência em todo o curso da história.
“O assassinato sistemático de milhões de judeus europeus no Holocausto mostrou o antissemitismo em sua forma mais monstruosa”, disse Ban. “A Organização das Nações Unidas, que quer ser fiel aos seus objetivos e ideais fundadores, tem o dever de se manifestar contra o antissemitismo”.
Notando que o extremismo está em ascensão em todo o mundo, ele disse que, para enfrentá-lo, é necessário evitar a perpetuação de ciclos de demonização e ficar nas mãos daqueles que procuram dividir. Uma armadilha que acontece, de acordo com Ban, no conflito no Oriente Médio.
“Discordâncias sobre as ações israelenses nunca devem ser usadas como desculpa para atacar os judeus”, disse. “No mesmo sentido, as críticas às ações israelenses não devem ser definidas automaticamente como antissemitismo”.
O orador principal do encontro, Bernard-Henri Lévy, afirmou que foi dada à Assembleia Geral a “missão sagrada” de impedir que os espíritos do antissemitismo acordem. No entanto, eles acordaram, disse. Em seu discurso, Lévy procurou refutar a análise moderna de antissemitismo, incluindo a ideia de que é apenas um tipo de racismo. Para ele é “necessária uma melhor compreensão e o abandono de velhos clichês sobre o antissemitismo e como ele funciona”, para poder “olhar o mal diretamente no rosto”.
Hoje, segundo ele, o antissemitismo se transformou em um “delírio antissionista” daqueles que se opõem ao restabelecimento de judeus em sua pátria histórica, na negação do Holocausto e no uso da memória de seu sofrimento para ofuscar “outros mártires”.
“O antissemitismo precisa dessas três formulações, que são como os três componentes vitais de uma bomba atômica moral”, disse Levy. “Cada um deles sozinho já seria suficiente para desacreditar um povo, mas quando os três estão combinados, podemos ter certeza que vamos enfrentar uma explosão na qual todos os judeus, em todo o mundo, serão os alvos”.
